Combinação de fármacos ajuda a reparar lesões nos nervos
Remédios usados contra hepatite, esclerose múltipla e alcoolismo protegem neurônios e melhoram recuperação após traumas em animais
Dois estudos realizados por pesquisadores brasileiros apontam um caminho promissor para o tratamento de lesões graves do sistema nervoso. Em experimentos com animais, combinações de medicamentos favoreceram a reparação do tecido afetado e protegeram as células nervosas, conseguindo controlar a inflamação e melhorar a recuperação funcional. Os resultados abrem perspectivas para o desenvolvimento de novos tratamentos para seres humanos.
Desenvolvidos no IB-Unicamp (Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas), com apoio da Fapesp, os trabalhos reforçam evidências recentes de que, para recuperar lesões nervosas graves, não basta reconectar os nervos, mas também é necessário controlar a inflamação, proteger os neurônios e preservar as conexões durante o processo de regeneração.
Os nervos funcionam como fios elétricos que conduzem sinais entre o cérebro, a medula espinhal e o restante do corpo. A conexão dos nervos espinhais com a medula se dá por meio de uma espécie de “mão dupla” : as raízes dorsais (posteriores) conduzem informações sensoriais (como dor, tato e temperatura) para a medula, enquanto as ventrais (anteriores) levam os comandos motores dela para os músculos.
Lesões nas raízes próximas à medula espinhal, dependendo da gravidade, podem comprometer a comunicação entre o sistema nervoso e os músculos, causando perda de movimentos e de sensibilidade.
Essas lesões são provocadas, por exemplo, por traumas (acidentes de trânsito e quedas) ou outras condições, como hérnia de disco e tumores. Além da interrupção dos axônios (as extensões dos neurônios), elas também desencadeiam inflamação persistente, perda de conexões entre essas células e, em alguns casos, morte de neurônios motores. Embora a cirurgia seja o tratamento padrão, a regeneração costuma ser lenta e, muitas vezes, incompleta.
Em uma das pesquisas, publicada na edição de junho da Ibro Neuroscience Reports , o grupo avaliou, em camundongos com lesão por esmagamento da raiz ventral, duas combinações de fármacos: o NB (NeuroBoost), composto por Tempol (4-hidroxi-TEMPO) e DMF (dimetilfumarato); e o NH (NeuroHeal), que alia acamprosato (utilizado no tratamento do alcoolismo, por exemplo) e ribavirina (usada contra hepatite C).
A 1ª combinação apresentou efeitos positivos na redução da reatividade de astrócitos e micróglias –células de suporte e defesa do sistema nervoso–, favorecendo a regeneração. Também resultou em melhora da sobrevivência dos neurônios motores 14 dias depois do tratamento, em comparação com o grupo-controle.
Já o NeuroHeal aumentou a sobrevivência neuronal a partir do 7º dia e reduziu a astrogliose –uma reação de defesa dos astrócitos, que aumentam de tamanho e número para tentar conter os danos e reparar o tecido.
Nos estágios iniciais depois da lesão, os 2 tratamentos diminuíram a presença de linfócitos Th1, células do sistema imunológico que favorecem a inflamação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.poder360.com.br — o conteúdo pertence a Poder360.