Em que exato momento mais dinheiro deixa de melhorar sua vida?
Professor catedrático convidado na NOVA School of Business and Economics, em Portugal. Nomeado Young Global Leader pelo Fórum Econômico Mundial, em 2017
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Há mais de 20 anos, perguntei ao meu orientador de doutorado, um sueco, o que o levava a trabalhar com tanto afinco sabendo que quase 60% do seu salário acabaria, por via da coleta fiscal, nas arcas insaciáveis do Estado.
Respondeu-me que quanto mais ganhasse, mais contribuiria para o bem-estar de todos. Eu, vindo de latitudes menos crédulas, achei a resposta boba.
Sempre me pareceram frágeis estes sistemas econômicos fundados sobre uma ideia excessivamente benigna da natureza humana. Ora, a verdade é que o homem é um animal vaidoso, invejoso, mesquinho e ferreamente competitivo, sempre com a luneta posta no triunfo do vizinho para lhe rogar secretas pragas.
Com um punhado de moedas no bolso, o sujeito compra a ilusão de ter superado os piores fantasmas da infância, enquanto a sociedade, educadamente, finge não reparar na pequenez que continua a roer debaixo da roupa de grife.
Por outro lado, quando a riqueza individual atinge proporções bilionárias, ela passa a mercantilizar os bens comuns e o próprio meio ambiente, acelerando fenômenos de anomia e fragmentação comunitária, ao mesmo tempo que subverte a soberania dos Estados nacionais e desequilibra as forças do mercado em favor de uma oligarquia global.
Na democracia não há espaço para o tecnograndiosismo de Musk, Zuckerberg e Thiel . O pesquisador Luke Kemp da Universidade de Cambridge, depois de analisar mais de 400 sociedades ao longo de 5.000 anos, concluiu que a concentração de riqueza provocou, muitas vezes, a fragilização de instituições e o colapso de civilizações.
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