‘É um absurdo esse tratamento técnico dos EUA com o Brasil’, diz Celso Amorim sobre atuação de embaixador de Trump
O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, criticou, nesta quarta-feira (12), a postura do governo dos Estados Unidos nas relações com o Brasil e afirmou que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas precisa ser analisada dentro de um contexto mais amplo de pressão política e econômica sobre o país.
“É um absurdo esse tratamento técnico dos EUA com o Brasil ”, afirmou Amorim durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. A declaração foi feita ao abordar a sequência de medidas adotadas pelo governo de Donald Trump e os impactos sobre a soberania brasileira, em especial sobre o agrément — autorização diplomática para atuação — do designado ao cargo de embaixador pelo governo trumpista.
Segundo Amorim, o Brasil não relativiza a gravidade do crime organizado e mantém uma posição de combate firme às facções criminosas. Ele ressaltou, porém, que a segurança pública deve ser enfrentada dentro dos marcos da Constituição e do Estado Democrático de Direito.
Na avaliação do assessor, a decisão estadunidense de classificar unilateralmente o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas não pode ser dissociada do conjunto de iniciativas recentes de Washington contra o Brasil. Entre elas, citou a elevação das tarifas sobre produtos brasileiros, a investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, críticas ao Pix e à regulação das plataformas digitais, e ataques ao Supremo Tribunal Federal.
Amorim também criticou a forma como o governo Trump conduziu parte das negociações comerciais. Ele lembrou que, após a imposição inicial de uma tarifa de 10% em 2025, os Estados Unidos elevaram a taxação para 50% por meio de uma carta divulgada nas redes sociais de Trump, sem negociação prévia com o governo brasileiro.
“Causou estranheza esse procedimento diplomático, uma comunicação pública, sem qualquer negociação prévia e sem qualquer respaldo nas normas multilaterais de comércio consagradas na Organização Mundial do Comércio”, afirmou.
A decisão do governo dos Estados Unidos de restringir o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti , tem impacto político, mas não compromete sua atuação diplomática.
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