A conta dos juros altos está chegando: a “bomba-relógio” que ameaça o caixa das empresas, segundo economista-chefe do Serasa
O crédito pode estar se tornando o ponto de maior tensão para as empresas brasileiras.
Com juros ainda elevados e a atividade econômica perdendo fôlego , especialistas veem uma “bomba-relógio” se formando — e o tempo já está correndo.
“Temos um cenário econômico que é bastante preocupante e uma bomba-relógio que está sendo armada do lado do crédito e que, sem uma expectativa de um juro menor para frente, dificilmente a gente vai conseguir desarmar”, afirmou Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian , durante painel na conferência anual do Santander, em São Paulo, nesta terça-feira (18).
A preocupação não está apenas no acesso a novos financiamentos, mas na capacidade das empresas de carregar dívidas caras enquanto a geração de caixa perde força.
A curva de juros, afinal, continua precificando taxas na casa dos 14% para os próximos anos — cenário em que Abdelmalack considera “impossível e inviável” falar em uma melhora relevante das condições de crédito no curto prazo.
Os reflexos já aparecem nas recuperações judiciais.
Em 2025, cerca de 2.600 CNPJs entraram com pedidos de RJ e, apenas entre janeiro e abril deste ano, a Serasa contabilizou 602 novos registros .
Serviços — setor que responde por até 70% da atividade econômica — e varejo estão entre os mais afetados.
E a conta já começou a chegar a empresas conhecidas do mercado.
A Casas Bahia (BHIA3), por exemplo, recorreu à Justiça nos últimos dias para reestruturar suas dívidas , em mais um caso recente a expor como a combinação de crédito caro, menor fôlego da atividade e pressão sobre o caixa pode transformar uma dificuldade financeira em uma crise de liquidez.
Leia também: Pesadelo mal começou: 2027 será ainda pior que 2026, diz CEO da Casas Bahia (BHIA3) Por que as empresas quebram? Juros altos não explicam tudo Para Abdelmalack, parte dos problemas também está dentro das próprias companhias.
Nem toda recuperação judicial nasce exclusivamente de um ambiente macroeconômico adverso: há casos em que o modelo de negócios, a gestão ou decisões tomadas ao longo do tempo também ajudam a explicar a deterioração.
Na visão de Renato Carvalho , fundador da Laplace e especialista em reestruturação, um dos maiores inimigos de uma empresa em dificuldade é a demora em reconhecer o tamanho do problema.
“O primeiro grande problema é demorar a entender o problema”, afirma.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.seudinheiro.com — o conteúdo pertence a Seu Dinheiro.