Kassab errou: mesmo sem centrão, Flávio Bolsonaro ainda tem grandes chances de vencer
Gilberto Kassab , presidente do PSD e candidato a vice de Ronaldo Caiado na chapa presidencial do partido, tido como guru da política nacional e uma das raposas mais experientes dela, cometeu um erro de avaliação ao dizer que Flávio Bolsonaro (PL) não teria mais chances de ser eleito por não contar com o apoio formal de partidos do centrão.
Aliás, numa análise político-ideológica, o “centrão” poderia ser mais bem classificado como um “direitão”, que às vezes se vende para os votos de políticos progressistas quando lhe é conveniente para os bolsos e prestígio.
Conheça o JOTA PRO Eleições, cobertura eleitoral especial do JOTA que oferece transparência e previsibilidade para empresas O erro de Kassab é o mesmo cometido por muitos jornalistas, operadores do direito e sobretudo cientistas políticos ao avaliar o bolsonarismo não como um fenômeno institucional antissistêmico, mas como uma revolução sociológica que coloca em xeque as nossas mais profundas noções de identidade nacional nos últimos 100 anos.
Não à toa, o bolsonarismo foi muito bem-sucedido em capturar, como principal símbolo daquilo que nos une através de classes sociais, regiões e sotaques, a camisa da seleção brasileira.
Há quase três anos escrevi neste espaço que Pelé talvez tenha feito mais do que qualquer outro brasileiro para nos dotar de um senso de identidade nacional que hoje se encontra claramente rompido — não tanto pelas más performances da seleção nos últimos anos, mas pelo fato de que o Brasil e seu tecido social mudaram profundamente.
Essa mudança ocorreu sobretudo por conta da expansão dos evangélicos na sociedade e suas consequências políticas, com uma correlação forte do voto dos eleitores desse grupo religioso à direita e de católicos à esquerda.
Essa clivagem religiosa era inimaginável no Brasil até pouco menos de 20 anos atrás, mesmo com a já notória presença de representantes religiosos, principalmente dos neopentecostais, na política brasileira.
Com amplo lastro social, combinando a Bíblia com segmentos do Boi (agro) e Bala (militares e forças de segurança em geral), além dos negacionistas (expressão da boçalidade) e supremacistas cada vez menos enrustidos (partidários da branquitude), a candidatura de Flávio Bolsonaro tem, portanto, chances significativas de vitória.
Ainda que o primeiro evento oficial da candidatura, realizado neste domingo (16/8) na praia de Copacabana, tenha sido relativamente esvaziado, ele oferece contrapontos simbólicos a Lula .
Sem endossar preconceitos de idade, é necessário reconhecer que o ar de jovialidade de Flávio pode ser bastante relevante para o eleitor abaixo de 40 anos, que pouco contato teve com as memórias da ditadura militar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.