O STF, o Master e o pato selvagem de Ibsen
Há momentos em que uma peça de teatro explica uma crise institucional melhor do que 50 constitucionalistas reunidos em seminário.
O caso Master é um deles.
Henrik Ibsen escreveu O Pato Selvagem em 1884.
Não confundir com Pato com Laranja, embora, diante do que se passa em Brasília, já não seja de todo absurdo imaginar o pato indo parar na mesa do jantar.
A peça gira em torno de uma família cuja vida repousa sobre segredos, acomodações, autoenganos e verdades não ditas.
Entra em cena Gregers Werle, o homem que se crê portador de uma missão moral: revelar a verdade.
Toda ela.
Custe o que custar.
Gregers chama isso de “exigência do ideal”.
Se uma vida está assentada sobre uma mentira, pensa ele, basta retirar a mentira para que brote uma vida autêntica.
Algo como a Fábula das Abelhas, de Mandeville.
As abelhas virtuosas achavam que bastaria proibir os vícios da sociedade e tudo seria mágico.
Parece bonito.
O problema é que Ibsen não escrevia livros de autoajuda.
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