Microcrédito chega a mais de 70% das famílias do Cadastro Único
Nos últimos quatro anos, o governo federal concentrou boa parte da política de microcrédito urbano nas famílias inscritas no Cadastro Único, especialmente as beneficiárias do Bolsa Família.
O resultado apareceu no debate promovido pelo Estúdio JOTA nesta quinta-feira (27/8), em Brasília, durante o evento Nordeste do Futuro, realizado com patrocínio do Banco do Nordeste (BNB).
Dos R$ 16 bilhões aplicados em microcrédito urbano em 2025, mais de 70% foram destinados a pessoas do Cadastro Único, segundo Alison Ramon Santos e Silva, diretor de Apoio ao Empreendedorismo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
O ministério estima que mais de 10 milhões de famílias cadastradas empreendem, enquanto o número de beneficiárias do microcrédito urbano no país ainda não chega a 4 milhões.
“Hoje quem está no Cadastro Único, quem está no Bolsa Família, é um grande beneficiado do microcrédito, além de outras pessoas que se enquadram no programa do PNMPO [Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado]”, afirma Santos e Silva.
Para o diretor, o objetivo da política é ampliar o acesso a crédito adequado, o que leva ao desenvolvimento do pequeno empreendedor.
“A partir do momento que apoiamos um pequeno negócio, ele começa a crescer e, teoricamente e naturalmente, vai saindo do [mercado] informal”, pondera.
Santos e Silva reconhece gargalos na política, entre eles a taxa de juros e o ticket médio das operações, ainda considerado baixo para financiar negócios de forma consistente.
Para conter os juros, o programa Acredita, do MDS, estabeleceu um teto de Selic mais 2% ao ano para as instituições financeiras participantes, além de subsidiar parte do custo do acompanhamento feito pelos agentes de crédito, apontado por ele como a etapa mais cara da operação.
O público também mudou de perfil.
Segundo Santos e Silva, entre 67% e 70% dos tomadores de microcrédito hoje são mulheres, patamar semelhante ao de outros programas sociais do governo.
Já no crédito rural, a política tem outro desenho.
Jânio Pereira de Melo, coordenador-geral de Apoio ao Microcrédito do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), explica que a linha Pronaf B, voltada a quem não tem renda ou bancarização, dispensa garantia e cobra juros de 0,5% ao ano, com rebate de até 60% para agricultores em situação de maior vulnerabilidade.
“O microcrédito veio junto com os bancos e dá esse suporte para o pequeno agricultor que nunca teve acesso a uma conta”, detalha.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.