A crise climática precisa de mais do que alertas
Mais do que registrar desastres, a comunicação precisa explicar suas causas, acompanhar os processos de reconstrução e cobrar políticas que reduzam vulnerabilidades
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Doutoranda em Comunicação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Integra o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental da UFRGS, Laboratório de Comunicação Climática (UFRGS/CNPq) e o projeto Community-based change local and traditional knowledges in NbS (COmCHA). →
A cada novo relatório científico, recorde de temperatura ou desastre ambiental, somos lembrados de que a crise climática é urgente, sabemos que o planeta aquece, que eventos extremos se tornam mais frequentes e que seus impactos recaem de forma desigual sobre populações e territórios vulneráveis. Paradoxalmente, nunca tivemos tanto acesso à informação sobre as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, tanta dificuldade em transformar conhecimento em ação. Parte dessa contradição pode estar na forma como comunicamos a crise climática.
Durante décadas, a comunicação ambiental apostou na lógica do alerta. Era preciso chamar atenção para um problema que parecia distante, invisível ou restrito ao campo científico. A estratégia cumpriu um papel importante, colocou as mudanças climáticas na agenda pública e ajudou a consolidar o consenso científico sobre sua gravidade. Hoje, grande parte da população já ouviu falar sobre aquecimento global, eventos extremos e emissões de gases de efeito estufa. O desafio já não é apenas convencer as pessoas de que a crise existe, é mostrar o que pode ser feito diante dela.
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No entanto, boa parte da cobertura midiática continua concentrada em negociações internacionais, disputas políticas, catástrofes e números alarmantes. São informações relevantes, sem dúvida, mas frequentemente aparecem desconectadas da vida cotidiana e das possibilidades concretas de transformação social, o resultado pode ser um sentimento de impotência. Quando a crise é apresentada apenas como uma sucessão de tragédias, cresce a percepção de que ela é grande demais para ser enfrentada.
Essa é uma das reflexões presentes na obra “ Comunicar la crisis climática” , organizada pelos pesquisadores Carlos Lozano Ascencio e María Teresa Mercado Sáez. Reunindo pesquisadores de diferentes países ibero-americanos, o livro argumenta que comunicar a emergência climática exige mais do que informar sobre riscos. Exige construir condições para a participação social, fortalecer a educação climática e ampliar a circulação de experiências concretas de adaptação e mitigação. Isso não significa abandonar o rigor científico ou suavizar a gravidade da situação, significa reconhecer que informação, por si só, não gera mobilização.
A comunicação climática torna-se mais eficaz quando consegue conectar fenômenos globais à experiência cotidiana das pessoas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oeco.org.br — o conteúdo pertence a O Eco.