Essa empresa fez um prédio de madeira em Suzano para desafiar o concreto
Suzano: A escolha pela cidade teve o objetivo estratégico de testar a aceitação do produto sem depender exclusivamente da valorização imobiliária de uma região premium. (Crosslam/Divulgação)
O Brasil tem um mercado imobiliário construído sobre concreto, aço e métodos tradicionais. A Crosslam , empresa brasileira especializada em madeira engenheirada, decidiu colocar uma pergunta à prova: seria possível construir um edifício residencial usando madeira como elemento estrutural principal e competir com os sistemas convencionais?
Para responder a questão, incorporou e construiu o próprio empreendimento, batizado de Aurora 275 . Localizado em Suzano, na Grande São Paulo, o projeto de seis andares conta com 10 apartamentos, cada um com 74,15 metros quadrados de área privativa, vendidos a um valor médio de R$ 10 mil por metro quadrado. O Valor Geral de Vendas (VGV) estimado do empreendimento é de R$ 7,4 milhões.
“Para nós provarmos uma tese de produto, precisaria ser um local neutro. Se fosse para fazer num terreno em Pinheiros, você não ia saber se estava vendendo o produto ou a localização”, afirma José Alberto Gonçalves, CEO da companhia.
A escolha por Suzano, portanto, teve um objetivo estratégico: testar a aceitação do produto sem depender exclusivamente da valorização imobiliária de uma região premium .
O sistema construtivo utilizou principalmente a tecnologia Cross Laminated Timber (CLT) , ou madeira laminada cruzada, combinada com outros elementos estruturais. As lajes e paredes dos pavimentos residenciais foram produzidas com madeira engenheirada, enquanto pilares e vigas utilizam madeira laminada colada (MLC) .
Por exigências relacionadas à segurança contra incêndios e às normas do Corpo de Bombeiros, alguns elementos específicos foram executados em concreto pré-moldado, como o núcleo de circulação vertical, onde ficam escadas e elevadores, além do térreo.
A estratégia representa uma mudança de papel para a empresa. Com mais de 300 obras contratadas e entregues , a Crosslam tradicionalmente atua como fornecedora, projetando, fabricando e montando estruturas em madeira engenheirada. Agora, decidiu assumir rapidamente também o papel de incorporadora para criar um laboratório real da tecnologia.
A ideia, segundo a companhia, não é entrar no mercado imobiliário de forma recorrente, mas provar na prática que a madeira pode ser uma alternativa industrializada para a construção civil brasileira. O empreendimento funciona como uma vitrine para mostrar a clientes, arquitetos e empresas do setor como a madeira engenheirada pode ser aplicada em projetos residenciais.
“A nossa pretensão é ficar algum tempo com o apartamento decorado até para ser uma vitrine. A Crosslam é muito boa em outras coisas que ela faz. Eu prefiro continuar fortalecendo o que já é muito forte do que ficar desviando recursos e energia”, afirma a companhia.
As lajes e paredes dos pavimentos residenciais foram produzidas com madeira engenheirada (Crosslam/Divulgação)
Um dos principais argumentos da madeira engenheirada está na industrialização do processo construtivo. No Aurora 275, a montagem da estrutura levou apenas quatro semanas .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.