Sequestro de um avião na ditadura terminou com a execução de marinheiro
Em 30 de maio de 1972, o sequestro de um avião modelo Lockheed L-188 Electra, da Varig, mobilizou as forças de segurança da ditadura militar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O ato foi protagonizado por Grenaldo de Jesus da Silva, ex-marinheiro perseguido pelo regime que vivia na clandestinidade sob identidade falsa.
O episódio terminou com a libertação dos passageiros, a fuga dramática dos pilotos e a morte do sequestrador dentro do avião. Apresentada inicialmente pelo governo como suicídio, a morte de Grenaldo foi posteriormente reconhecida pelo Estado brasileiro como uma execução sumária sob custódia policial.
Mais de meio século após o incidente, a identificação dos restos mortais do ex-militante trouxe um novo e definitivo capítulo a essa história da repressão. O achado reforça o contraste entre o relato oficial do regime e as graves violações reveladas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.
A ação teve início cerca de vinte minutos após a decolagem do voo comercial que partira de São Paulo com destino ao Sul do país naquele dia. Armado com uma pistola de nove milímetros, Grenaldo invadiu a cabine de comando e entregou bilhetes com suas exigências à tripulação.
O ex-marinheiro exigiu o valor de 1,5 milhão de cruzeiros, além de três paraquedas para efetuar uma fuga aérea. Ele demonstrou grande nervosismo durante a abordagem e ameaçou ter a presença de uma bomba a bordo caso os pedidos não fossem atendidos.
Entre os objetivos do sequestro estavam fugir do país e pedir asilo, em Cuba ou no Uruguai.
O piloto seguiu as ordens do sequestrador e retornou imediatamente à capital paulista, realizando manobras para protelar a aproximação e ganhar tempo. O pouso ocorreu no Aeroporto de Congonhas no meio da tarde, quando a pista foi rapidamente isolada por tropas militares e policiais.
Estacionada próxima aos hangares, a aeronave permaneceu sob forte cerco enquanto as autoridades simulavam atender às demandas impostas. Aproveitando o prolongamento das negociações, Grenaldo aceitou liberar todos os passageiros antes do reabastecimento de combustível.
Com os passageiros em segurança, os pilotos e o mecânico de voo arquitetaram um plano de escape no interior da cabine de comando. O mecânico conseguiu fechar a porta divisória e isolar o sequestrador, permitindo que a equipe saltasse pelas janelas laterais de emergência.
Com a fuga da tripulação, forças de segurança lançaram bombas de gás lacrimogêneo e invadiram a aeronave. Ao entrarem, os agentes encontraram Grenaldo caído com um disparo de arma de fogo na cabeça, segundo os relatos feitos após o momento.
A versão oficial divulgada pelos órgãos de repressão sustentava que o homem teria cometido suicídio ao perceber o fracasso de seu plano. No entanto, a ausência de laudos periciais categóricos alimentou imensas dúvidas sobre a real dinâmica do disparo.
Antes do episódio no avião, Grenaldo de Jesus da Silva teve sua trajetória marcada pela atuação na Marinha do Brasil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.