O que fez o mercado de capitais brasileiro chegar até aqui?
Quando observamos o mercado de capitais brasileiro hoje é fácil enxergar os resultados.
Mais investidores a cada ano, mais empresas captando recursos e uma participação cada vez maior no financiamento da economia.
O que nem sempre aparece é tudo o que precisou ser construído para que esse mercado chegasse até aqui.
Existe uma tendência natural de associar sua evolução principalmente a mudanças regulatórias, avanços tecnológicos ou ao crescimento econômico.
Todos esses fatores são importantes.
Mas há outro elemento, menos visível, que também ajuda a explicar essa trajetória: a capacidade de coordenação entre os diferentes participantes do ecossistema financeiro.
Recentemente, um estudo elaborado pelos professores de Harvard e da New York University, analisou a evolução do mercado financeiro e de capitais brasileiro sob uma perspectiva institucional.
Uma das conclusões é que o desenvolvimento de mercados sofisticados não depende apenas da atuação do Estado, mas também da existência de mecanismos capazes de alinhar interesses, disseminar boas práticas e fortalecer o funcionamento do próprio mercado.
Essa constatação é particularmente relevante para o Brasil.
Nosso mercado reúne investidores, bancos, corretoras, gestoras, distribuidores e empresas de diferentes portes e perfis.
Em um ambiente tão diverso, o avanço não acontece apenas pela criação de novas regras.
Ele também depende da construção de referências comuns para temas como transparência, governança, qualificação profissional e conduta.
Ao longo das últimas décadas, o país conseguiu desenvolver uma estrutura institucional que deu suporte à expansão dos mercados financeiro e de capitais.
O estudo destaca justamente que a combinação entre regulação pública, coordenação setorial e autorregulação contribuiu para criar um ambiente mais eficiente, íntegro e previsível para investidores e emissores.
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