Em apenas 72 horas: nanopartícula da USP regenera células de feridas crônicas
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma nanopartícula capaz de atuar simultaneamente sobre diferentes mecanismos que travam a cicatrização de feridas crônicas, como úlceras diabéticas e escaras.
A formulação tópica combina o antioxidante resveratrol com o silenciamento genético de uma enzima que, em excesso, destrói o tecido cutâneo.
Em testes in vitro, o tratamento promoveu a regeneração celular em apenas 72 horas.
O estudo, com financiamento da FAPESP, foi publicado em maio na revista Colloids and Surfaces B: Biointerfaces , segundo a Agência FAPESP.
Inovação da USP para feridas crônicas A nanopartícula desenvolvida na USP foi projetada para enfrentar de frente a complexidade das feridas crônicas, condições que resistem aos tratamentos convencionais justamente porque envolvem múltiplos processos biológicos disfuncionais ao mesmo tempo.
Em testes in vitro, a formulação demonstrou resultados expressivos: a regeneração celular ocorreu em apenas 72 horas , um prazo significativamente curto para lesões que, na prática clínica, podem persistir por meses ou anos.
Além da velocidade de resposta, a tecnologia mostrou capacidade de reduzir a inflamação local, proteger o tecido contra o estresse oxidativo e favorecer a migração de fibroblastos cutâneos, as células responsáveis pela produção de colágeno e pela reconstrução da pele.
A pesquisa foi orientada pela professora Maria Vitória Lopes Badra Bentley, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP), e teve Milena Finazzi Morais como primeira autora, segundo a Agência FAPESP.
Como a nanopartícula atua A formulação reúne duas estratégias terapêuticas distintas numa única plataforma.
A primeira é o uso do resveratrol, composto natural com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que atua favorecendo a migração e a proliferação dos fibroblastos, células centrais no processo de cicatrização.
A segunda estratégia é o silenciamento genético da enzima MMP-9 .
Para isso, a nanopartícula carrega uma pequena molécula de RNA, o siRNA , que bloqueia a produção dessa enzima pelas células.
Em feridas crônicas, a MMP-9 é produzida em excesso e passa a degradar proteínas estruturais como colágeno e elastina, destruindo o tecido que deveria estar se reconstruindo.
Ao inibir esse mecanismo enquanto o resveratrol combate a inflamação e o estresse oxidativo, a nanopartícula age sobre vários processos disfuncionais ao mesmo tempo , o que diferencia a abordagem dos tratamentos disponíveis atualmente.
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