Marrocos detém mais de 100 migrantes rumo a Ceuta
Marrocos detém mais de 100 migrantes rumo a Ceuta - Países reforçaram vigilância para evitar travessia em massa após uma nova convocação nas redes sociais, mas testemunhas relataram situação calma no enclave espanhol.A polícia marroquina prendeu ao menos 111 pessoas neste sábado (15/08) que tentavam entrar no enclave espanhol de Ceuta. Os dois lados da fronteira reforçaram a atuação após publicações nas redes sociais convocarem uma nova travessia em massa para este fim de semana.
A tentativa ocorreu duas semanas depois da entrada de dezenas de milhares de migrantes em Ceuta, episódio que provocou tensões na União Europeia e alimentou discursos anti-imigração de partidos de extrema direita em vários países. Na ocasião, o chamado também ocorreu pelas redes sociais. Segundo Madri, 83 corpos foram recuperados no mar, mas organizações não governamentais afirmam que o total de vítimas supera 100.
Uma fonte do Ministério do Interior do Marrocos afirmou à agência Reuters que entre os detidos estavam 109 migrantes da África Subsaariana e dois cidadãos marroquinos. As prisões ocorreram em Fnideq, cidade marroquina situada a cerca de 20 quilômetros de Ceuta.
A imprensa marroquina apresentou números mais elevados para a operação. O portal Le360 informou que 294 pessoas foram detidas em Fnideq e regiões vizinhas, sendo 46 marroquinos e as demais oriundas da África Subsaariana.
De acordo com a agência espanhola EFE, a polícia marroquina usou gás lacrimogêneo para dispersar grupos de migrantes reunidos em colinas a cerca de 3 quilômetros da fronteira. Mais tarde, a Reuters observou centenas de agentes, alguns com equipamento antimotim e outros à paisana, retornando das áreas montanhosas próximas a Fnideq.
Um funcionário marroquino ouvido pela AFP, sob condição de anonimato, afirmou que a operação fazia parte de uma ação rotineira para impedir tentativas de migração irregular em direção a Ceuta. Segundo ele, as detenções ocorreram dentro de um amplo esquema de segurança montado para evitar novas saídas rumo ao enclave espanhol.
Em Ceuta, militares espanhóis protegiam supermercados enquanto a polícia mantinha forte patrulhamento nas principais ruas do enclave. Ainda assim, a situação era muito mais tranquila do que nos dias que se seguiram à travessia em massa registrada em 30 de julho.
Um repórter da agência alemã dpa afirmou que o posto fronteiriço de Ceuta permaneceu praticamente deserto ao longo da manhã. Segundo ele, a vida transcorria normalmente no centro da cidade. A emissora RTVE e outros veículos espanhóis também descreveram o cenário como calmo.
Após a crise que levou à travessia de milhares de pessoas ao enclave, Madri instalou uma barreira marítima e elevou para 1.600 o número de agentes na cidade. Ceuta contava neste sábado com 880 policiais nacionais, apoiados por cerca de 2 mil militares e 700 integrantes da Guarda Civil.
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