FGC celebra 30 anos após maior teste de sua história — e agora tenta evitar um novo caso Master
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) completou 30 anos no fim do ano passado, poucos dias depois de o Banco Central ter decretado a liquidação do Banco Master – que levou ao pagamento de cerca de R$ 40 bilhões em garantias pelo fundo. Por isso, as comemorações foram adiadas para esta quinta-feira (13).
Os R$ 40 bilhões pagos aos clientes do Master equivalem a quase 40% das reservas do fundo, segundo Rubens Sardenberg, diretor da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Apesar dos problemas enfrentados por alguns investidores durante os pagamentos, o episódio não provocou uma crise de confiança no sistema financeiro.
Para Daniel Lima, presidente do FGC, a decisão de adiar a comemoração do aniversário foi acertada. O fundo chega aos 30 anos depois de concluir os pagamentos dos investimentos elegíveis ligados ao Master e a instituições como o Will Bank.
“Foi a prova mais contundente do amadurecimento institucional do papel que o FGC representa”, afirmou Cassio von Gal, presidente do Conselho de Administração da ABBC (Associação Brasileira de Bancos).
O caso Master também trouxe um alerta para o mercado: a garantia do FGC pode estar levando investidores a olharem mais para a proteção do que para a qualidade do banco emissor.
“Há a impressão de que temos um moral hazard . As pessoas estão aplicando direto no FGC, e não no banco emissor do título, que tem seus riscos”, disse Sardenberg.
A preocupação vale especialmente para CDBs, LCIs e LCAs de instituições menores, que muitas vezes oferecem retornos maiores. A cobertura de até R$ 250 mil por CPF pode dar ao investidor a sensação de que o risco é irrelevante.
Para o setor, porém, o FGC não existe para transformar aplicações arriscadas em investimentos sem risco. A função é proteger o pequeno poupador e evitar que a quebra de uma instituição provoque uma crise sistêmica.
O Banco Central já adotou medidas para reduzir o risco de que instituições dependam excessivamente de captações protegidas pelo FGC.
Entre elas estão contribuições adicionais para bancos que dependem mais desse tipo de recurso e a exigência de que instituições muito expostas mantenham parte do dinheiro em títulos públicos.
A principal mudança, segundo Gabriel Galípolo, presidente do BC, é ampliar a fiscalização sobre o destino dos recursos captados.
A preocupação é evitar que bancos levantem dinheiro por meio de produtos garantidos pelo FGC e direcionem os recursos para ativos muito arriscados ou pouco líquidos.
“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores”, afirmou Galípolo.
O caso Master, portanto, deixou uma dupla lição. O FGC mostrou que consegue funcionar como rede de proteção em uma quebra de grandes proporções. Ao mesmo tempo, o episódio reforçou que a garantia não substitui a análise de risco de quem investe.
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