Obaluaê: conheça a história do Orixá celebrado em 16 de agosto
"Atotô Obaluaê" . A saudação, de origem iorubá, pode ser algo como "silêncio para o grande Rei da Terra" e ajuda a revelar a importância de um dos Orixás mais reverenciados nas tradições de matriz africana. Ligado à terra, à saúde, às doenças, à cura e também à morte e à transformação, Obaluaê celebra-se em 16 de agosto.
Também chamado de Omolu , Omulu ou Xapanã , dependendo da tradição, o Orixá carrega uma simbologia marcada pelos ciclos da existência. Vida e morte, saúde e doença, começo e fim aparecem como partes de um mesmo movimento de transformação.
É importante destacar, porém, que não existe uma única maneira de compreender ou cultuar os Orixás. Religiões afro-brasileiras possuem diferentes vertentes, casas e tradições, e características, histórias, cores e rituais podem variar de acordo com cada uma delas.
A resposta depende da tradição religiosa. Em algumas vertentes, Obaluaê e Omolu são manifestações da mesma divindade em diferentes momentos da vida. Obaluaê estaria relacionado à figura mais jovem, enquanto Omolu representaria sua manifestação mais velha.
Há também tradições que estabelecem diferenças entre os dois. Nesse entendimento, Obaluaê aparece relacionado principalmente à transformação e à evolução, enquanto Omolu está mais associado à morte e ao encerramento dos ciclos. Essa diversidade ajuda a compreender por que é possível encontrar diferentes histórias e características atribuídas a eles.
Em algumas formas de sincretismo religioso, Obaluaê relaciona-se a São Roque, enquanto Omolu aparece associado a São Lázaro. Essas correspondências, novamente, podem mudar conforme a tradição.
Os relatos sobre Obaluaê têm origem nas tradições africanas e transmitiram-se por diferentes gerações. Na cosmologia iorubá, sua figura está relacionada à terra, à cura e à proteção diante das enfermidades. Seu próprio nome ajuda a compreender essa ligação: Oláwàiye, em iorubá, carrega o sentido de "o rei que é senhor da terra".
Segundo uma das narrativas tradicionais, Omolu seria filho de Nanã e Oxalá e irmão de Oxumaré . Ele teria nascido com feridas e sido abandonado próximo ao mar. Posteriormente, teria sido acolhido por Iemanjá, que cuidou dele e lhe ensinou conhecimentos relacionados à cura e à superação das adversidades.
As marcas deixadas pelas feridas também aparecem como explicação para uma das imagens mais conhecidas do Orixá: o corpo coberto por palhas. A palha da costa, que forma uma espécie de manto sobre seu corpo, tornou-se um de seus principais símbolos. Outro elemento associado a Obaluaê é o Xaxará, objeto confeccionado com palha trançada.
A presença de Obaluaê nas religiões afro-brasileiras está diretamente relacionada à diáspora africana. Durante o período da escravidão, milhões de africanos foram trazidos à força para o Brasil e, com eles, chegaram diferentes culturas, saberes, línguas e crenças religiosas.
Diante da repressão às suas práticas espirituais, comunidades africanas buscaram maneiras de preservar suas tradições.
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