TV Fórum: ‘Não somos empreendedores, somos trabalhadores subordinados ao algoritmo’, diz Jr. Freitas
O Fórum Onze e Meia desta quinta-feira (13) recebeu o motoboy, entregador e candidato a deputado estadual Junior Freitas (PSOL-SP) para falar sobre a luta dos trabalhadores de aplicativos por direitos, sua trajetória na militância e sua campanha para as eleições deste ano.
Freitas iniciou sua fala explicando como o capitalismo fez surgir a profissão dos trabalhadores por aplicativos como uma das mais precarizadas e perigosas hoje em dia.
O entregador destacou que o sistema capitalista é “especialista em captar sentimentos” , e foi desse modo que ele iludiu os entregadores de aplicativos.
“O entregador de aplicativo é uma categoria nova que tem aproximadamente 10 anos em vigor, não só no Brasil, como no mundo todo.
E hoje em dia, é um dos trabalhos mais precarizados que existem.
O trabalhador de aplicativo não tem direito a absolutamente nada e é uma das profissões mais perigosas que a gente tem no nosso país.
É uma das que mais mata”, pontou Freitas.
O candidato relembra que quando entrou nessa profissão, nos anos 2000, as plataformas chegaram com uma promessa de um novo modelo de trabalho que faria o entregador lucrar mais do que no regime CLT sem precisar seguir os moldes do trabalho formal.
“A Loggi, que é uma empresa de aplicativo, uma das pioneiras que entrou aqui no nosso país, entrou fazendo a seguinte estratégia: imagina que você entra no mercado, você oferece esse mesmo serviço que já existe para o cliente, só que muito mais barato do que era antes.
E, para o trabalhador, eles pagavam muito mais do que o trabalhador recebia.
A conta não fechava, porque ele cobra menos do cliente, paga mais para o trabalhador”, explica Freitas.
No entanto, isso era um aporte financeiro que a empresa se preparou para trabalhar pelo menos um ano dessa maneira.
“É um jeito de monopolizar o mercado, é um jeito de roubar os clientes”, diz o motoboy.
“A tecnologia, quando as pessoas começaram a ter conhecimento, via que conseguia acompanhar o trabalhador de ponta a ponta ali no GPS, as pessoas começaram a aderir muito a esse modelo, por ser mais barato e por ser mais prático também.
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