Falta de banco de sêmen afeta casais homoafetivos que buscam reprodução no Hmib
“É muito difícil conviver com a incerteza, com a sensação de que o tempo está passando e de que não temos nenhum controle sobre isso”.
O relato é de uma servidora pública que sonha em ser mãe e recorreu ao serviço de reprodução humana assistida do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para tentar realizar esse desejo ao lado da companheira.
No entanto, as duas se depararam com uma situação sem previsão de regularização: a suspensão do serviço que depende de esperma de doador na rede pública do Distrito Federal, após o fim da parceria da Secretaria de Saúde (SES-DF) com o banco de sêmen há quatro anos.
A falta do serviço afeta, principalmente, casais homoafetivos e mulheres inférteis que tentam o processo de reprodução por meio da fertilização in vitro (FIV).
A mulher, de 35 anos, que pediu para não ser identificada, contou ao Metrópoles que centenas de famílias estão com o processo parado por conta da falta do banco.
“Entrei pela regulação que solicita que a gente faça a triagem na atenção básica, depois a intermediária e depois na de alta complexidade.
Fiz vários exames de sangue e imagem, todas as consultas solicitadas, chegando na Reprodução Humana do Hmib, fizeram toda a entrevista, pegaram todos os exames e, ao final, nos relataram que simplesmente há quatro anos não tem banco de sêmen”, contou.
Para a servidora, uma das maiores preocupações é o tempo de fertilidade feminina.
“Somos um casal homoafetivo, temos 35 anos e sabemos que nossa fertilidade não vai esperar.
Enquanto o tempo passa, nossas chances diminuem.
Fazer a FIV na rede particular é um custo completamente fora da nossa realidade, e por isso depositamos nossas esperanças no SUS”, disse.
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que o serviço de reprodução humana assistida com uso de sêmen de doador está temporariamente suspenso.
“A pasta está adotando as medidas administrativas e legais necessárias para viabilizar a contratação de um novo fornecedor e restabelecer o serviço”, disse.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.