Minerva (BEEF3): 2T26 vem em linha, mas queima de caixa e China preocupam
A Minerva Foods ( BEEF3 ) entregou um resultado do segundo trimestre de 2026 (2T26) amplamente em linha com as expectativas dos analistas, mas a forte queima de caixa e as incertezas envolvendo as exportações para a China devem manter os investidores cautelosos no segundo semestre.
XP Investimentos , BTG Pactual e Itaú BBA avaliaram o balanço como consistente, com destaque para a resiliência operacional da companhia mesmo diante de um cenário menos favorável para os frigoríficos. Os três bancos, porém, mantiveram recomendação neutra para as ações.
A Minerva registrou receita líquida de R$ 14,1 bilhões no 2T26, alta de 1,3% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 1,2 bilhão, queda de 5,5%, com margem de 8,6%.
Para a XP, o trimestre foi sólido, com melhora da margem Ebitda na comparação com o trimestre anterior e em um movimento considerado positivo para a sazonalidade. Ainda assim, a casa avalia que essa recuperação pode não ser suficiente para compensar a pressão sobre as margens provocada pela alta dos preços do gado ao longo do segundo semestre.
O BTG, por sua vez, considerou o 2T26 como um trimestre “sem novidades”, destacando que os números foram amplamente consistentes com as expectativas. Para o banco, isso é positivo diante da elevada volatilidade típica do setor, mas não representa um catalisador para as ações, que vêm apresentando desempenho fraco e ainda enfrentam o desafio de desalavancar o balanço.
O principal ponto de preocupação dos analistas foi a geração de caixa. A Minerva consumiu cerca de R$ 1,1 bilhão em capital de giro no trimestre, principalmente devido ao aumento das contas a receber e dos estoques.
Com isso, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 611 milhões no período. A cifra ficou bem abaixo das expectativas da XP, que projetava geração positiva de R$ 100 milhões.
O Itaú BBA também colocou a dinâmica do capital de giro como principal ponto de debate após o balanço. Segundo o banco, o consumo ocorreu apesar da contribuição positiva das operações de forfait , aumentando a atenção sobre a capacidade da companhia de gerar caixa no restante de 2026.
A pressão sobre o caixa também elevou a alavancagem. A relação entre dívida líquida e Ebitda terminou o trimestre em cerca de 3 vezes, ante 2,8 vezes no primeiro trimestre, segundo os analistas.
Para o BTG, a Minerva precisa acelerar a desalavancagem e melhorar a geração de caixa aos acionistas antes que as ações possam ganhar um novo impulso.
Outro ponto de atenção é a cota de importação de carne bovina da China, que já foi esgotada para Brasil e Austrália.
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