TSE aceita ação sobre financiamento de desfile no carnaval que homenageou Lula
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antônio Carlos Ferreira, aceitou o processamento de uma ação que apura o financiamento público do desfile da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Carnaval do Rio homenageando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A ação, movida pelo Partido Novo, aponta abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
Lula e o vice, Geraldo Alckmin, têm cinco dias para apresentar defesa.
A reportagem procurou a campanha dos candidatos, mas não recebeu resposta.
A ação sustenta que o desfile, que exaltou a trajetória pessoal e política de Lula , foi custeado com R$ 9,65 milhões públicos repassados por quatro entes – os municípios de Niterói e do Rio, o governo do Estado e a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).
Segundo o partido, todos os instrumentos de repasse foram formalizados depois que a agremiação anunciou publicamente, em julho de 2025, que homenagearia o presidente, então pré-candidato à reeleição.
Leia também Mendonça manda Lula remover vídeos com pedidos explícitos de voto em convenção A decisão atende parcialmente a uma representação do partido Novo, que questionou a propaganda eleitoral antecipada Segundo a petição do Novo, a Lei Municipal de Niterói nº 4.063, sancionada em 24 de outubro de 2025, mudou o método de repasse às escolas de samba do Grupo Especial.
A norma passou a nominar as agremiações beneficiadas e a fixar valores individualizados, dispensando chamamento público.
À Acadêmicos de Niterói coube R$ 4 milhões.
O Ministério Público do Rio de Janeiro contestou a lei na Justiça dias após a sanção.
A 1ª Vara Cível de Niterói reconheceu vício na norma, mas manteve o valor já destinado à agremiação, sob o argumento de que suspender o repasse àquela altura comprometeria o orçamento do desfile.
Os demais aportes seguiram padrão semelhante, segundo a ação: o Município do Rio destinou R$ 2,15 milhões por contratação direta; o Governo do Estado, R$ 2,5 milhões via contrato com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa); e a Embratur, R$ 1 milhão, em repasse que a agência classificou como “incremento” de uma política já existente.
O segundo eixo da ação argumenta que o desfile funcionou como propaganda eleitoral antecipada fora do regime da propaganda eleitoral.
A agremiação abriu o Grupo Especial às 22h de domingo, 15 de fevereiro, em transmissão ao vivo por rede nacional de TV aberta e por plataformas digitais.
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