Casas Bahia: pedido de recuperação expõe pressão no varejo brasileiro
O grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo com dívida de R$ 17,3 bilhões nesta segunda-feira (17/8).
O processo envolve diferentes empresas da companhia e ocorre em meio ao aumento da pressão financeira sobre o varejo brasileiro, que tem registrado dificuldade de geração de caixa, crescimento do endividamento e piora nas condições de crédito.
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A Marabraz , concorrente do setor de móveis e eletrodomésticos, também recorreu à recuperação judicial após acumular cerca de R$ 140 milhões em dívidas.
Os dois casos se somam a uma sequência recente de reestruturações no varejo, que inclui a Americanas , em recuperação judicial desde 2023, após crise contábil e forte aumento do endividamento.
Os pedidos de recuperação judicial em grandes redes do setor ocorrem em um contexto de combinação de fatores que afetam o desempenho do varejo brasileiro.
De acordo com levantamento do Serasa Experian, em abril, foram registrados 60 processos de recuperação judicial, envolvendo 141 CNPJs no período.
No total, 43 processos foram registrados no setor de comércio.
“As empresas seguem lidando com um ambiente de crescimento mais moderado, restrições financeiras e necessidade de ajuste de suas estruturas de capital”, afirma a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.
Segundo ela, “soma-se a isso o aumento da incerteza para setores mais expostos ao mercado externo, diante das mudanças recentes no cenário tarifário internacional, fator que pode afetar investimentos, planejamento e geração de receita nos próximos meses”.
Endividamento das famílias Um dos principais elementos que pode explicar a pressão no varejo é o endividamento das famílias, que permanece elevado e limita a capacidade de consumo.
Com maior parte da renda comprometida com dívidas, há redução do espaço para compras parceladas e de bens de maior valor, segmento que concentra parte relevante do faturamento das grandes redes.
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o endividamento das famílias chegou a 82% em julho , sexto mês consecutivo de alta.
O governo tem apostado em programas para desafogar o orçamento familiar e estimular o consumo, como é o caso do Desenrola, no entanto, por ser uma medida nova, ainda não é possível medir os impactos do programa na inadimplência.
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