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Mercado vê contradições de Flávio na economia, mas dá benefício da dúvida

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Mercado vê contradições de Flávio na economia, mas dá benefício da dúvida

As promessas feitas nos últimos dias pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, são contraditórias com o ajuste fiscal esperado dele. Mas o mercado entende que essa incoerência faz parte da campanha eleitoral e dá ao candidato o benefício da dúvida, na avaliação de executivos de grandes bancos ouvidos pelo UOL .

A avaliação de agentes do mercado é de que a campanha de Flávio Bolsonaro dá sinalizações ambíguas e pouco claras na área econômica, e que "a matemática não fecha". De um lado, a campanha diz que vai promover um corte da ordem de R$ 200 bilhões, sem detalhes concretos de como isso será feito. Do outro, diz que não vai mexer em benefícios sociais e no ganho real da aposentadoria, e promete congelar dívidas de pessoas físicas e empresas.

Mesmo que as medidas de ajuste não estejam claras, há uma expectativa de mudança de mentalidade do governo na área fiscal. O que se espera é uma condução da economia que mexa nas indexações de gastos e no tamanho da máquina pública, disse o executivo de um banco. As medidas teriam potencial para mudar a trajetória da dívida pública, abrindo caminho para redução dos juros.

A expectativa ficou evidente no comportamento dos mercados logo após o resultado do primeiro turno, que mostrou Flávio Bolsonaro à frente de Lula (PT). O Ibovespa, principal índice da Bolsa, subiu mais de 7% na segunda-feira (5), e o dólar caiu mais de 4%. A avaliação dos executivos ouvidos pela reportagem é de que, mesmo com algumas sinalizações em sentido contrário, a expectativa se mantém.

Uma proposta citada pela candidatura de Flávio é a criação de um teto de gastos para quando a relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) estiver em patamar elevado. Hoje essa relação está em 82%, sendo que o patamar considerado seguro pelo mercado para economias emergentes está na casa dos 65%. Portanto, por essa proposta, o país passaria alguns anos sob um regime de teto de gastos, o que dificultaria a manutenção de políticas como a do aumento real do salário mínimo, destaca outro executivo.

Outra proposta de Flávio para o ajuste fiscal envolve a venda de imóveis públicos. Nesse caso, o ajuste seria focado em receitas não recorrentes e não passaria por medidas mais amargas sobre benefícios sociais. A proposta é semelhante à feita pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes, no governo Jair Bolsonaro. Na época, Guedes projetava a venda de R$ 1 trilhão em imóveis, mas a arrecadação ficou em cerca de R$ 833 milhões nos quatro anos de governo .

Já a proposta de congelar dívidas de pessoas físicas e jurídicas, citada por Flávio em debate, ficou pouco clara. A depender do modelo adotado, a inadimplência pode não subir por um tempo, mas depois explodiria com a retomada das cobranças, avalia um executivo.

Nenhuma dessas propostas está no plano de governo apresentado pelo candidato. O texto fala de forma mais vaga sobre um "grande tesouraço" e sobre enxugar a máquina pública, cita redução de ministérios e a retomada das privatizações.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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