New York Times critica interferência de Trump no Brasil
O conselho editorial do jornal americano The New York Times criticou a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na política brasileira e afirmou que a tentativa de influenciar disputas eleitorais em outros países compromete a credibilidade internacional de Washington.
O posicionamento foi publicado neste domingo (25), quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL).
O editorial, intitulado Trump Should Stay Out of Brazilian Politics (“Trump deveria ficar fora da política brasileira”, em tradução livre), aponta o Brasil como um dos exemplos mais recentes da disposição da Casa Branca de utilizar instrumentos econômicos e diplomáticos para pressionar governos estrangeiros.
Leia também Lula supera 64 milhões de votos e bate recorde histórico em eleição presidencial Reeleito neste domingo (25), petista supera a própria marca de 2022, quando recebeu 60,3 milhões de votos no segundo turno contra Jair Bolsonaro A publicação destaca que Trump evitou declarar apoio formal a Flávio durante a campanha.
Na avaliação do jornal, porém, algumas decisões de seu governo demonstraram uma preferência política, especialmente as medidas adotadas em meio aos processos judiciais envolvendo Jair Bolsonaro.
Entre os episódios mencionados estão as tarifas de 50% impostas em 2025 sobre grande parte dos produtos brasileiros e as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e à sua esposa.
Para o New York Times , essas iniciativas representaram uma tentativa de pressionar as instituições brasileiras durante o julgamento do ex-presidente.
O jornal também avalia que as barreiras comerciais prejudicaram a economia do Brasil e ampliaram as críticas à atuação americana.
Jornal vê prejuízo à influência dos Estados Unidos O editorial relaciona a postura de Trump ao histórico de intervenções americanas durante a Guerra Fria, período em que Washington procurou influenciar governos e processos políticos na América Latina.
Segundo a publicação, presidentes americanos passaram a adotar maior cautela em relação às eleições de outros países nas décadas seguintes, prática que estaria sendo revertida pela atual administração.
O conselho editorial argumenta que a pressão sobre governos democraticamente eleitos pode produzir efeitos contrários aos pretendidos, ao estimular reações nacionalistas e desgastar a imagem dos Estados Unidos.
O texto também cita iniciativas de Trump em países como Argentina, Colômbia e Hungria, onde o governo americano manifestou preferências políticas ou utilizou instrumentos de pressão e aproximação com lideranças locais.
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