Dos Brasis: a maior exposição de arte negra do Brasil chega ao Sesc Franca
Dos Brasis: a maior exposição de arte negra do Brasil chega ao Sesc Franca Crédito: Bruna Damasceno Com sete núcleos, quase 90 obras e um recorte construído especialmente para a cidade, o Sesc Franca recebe, a partir de 28 de agosto, a exposição Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro.
A mostra, que chega ao interior paulista depois de passar pelo Sesc Belenzinho (SP) e Sesc Quitandinha (RJ), chega como um espelho apontado para a própria cidade, e é justamente esse gesto que a torna decisiva.
Dos Brasis consegue unir de forma bastante natural uma narrativa nacional e uma história local.
E, o faz porque Franca não é um palco neutro, é terra natal de Abdias Nascimento, é a cidade de adoção de Isa do Rosário e é o endereço escolhido por Carlos de Assumpção para viver, advogar e escrever.
Três nomes que ajudaram a formar o pensamento negro brasileiro no teatro, nas artes visuais e na poesia, e que a exposição transforma em fio condutor de um recorte, que compõe sete obras do Acervo Sesc de Arte incorporadas especialmente para esta edição.
A tese central da mostra se concentra no fato de a história da arte brasileira ter sido contada, por décadas, a partir de um único ponto de vista.
Dos Brasis propõe uma outra rota: em vez de tratar artistas negros como exceção dentro de um cânone branco, a exposição parte do princípio de que essa produção sempre existiu, sempre foi vasta e sempre foi sistematicamente deixada de fora dos museus, das coleções e dos livros.
Os sete núcleos curatoriais — Romper, Branco Tema, Negro Vida, Amefricanas, Organização Já, Legítima Defesa e Baobá — funcionam como percursos de pensamento, não como salas temáticas soltas.
Cada um propõe uma pergunta diferente sobre o que significa existir, criar e resistir a partir da experiência negra no Brasil.
É importante ressaltar o núcleo Branco Tema, que inverte uma lógica em que, por séculos, artistas e pesquisadores brancos tomaram corpos negros como objeto de observação e classificação.
Aqui, esse olhar se desloca.
São artistas negros que investigam a branquitude, seus privilégios e seus mecanismos de poder, lembrando ao público que nenhuma imagem é neutra, nenhuma câmera é imparcial.
É um dos momentos mais incômodos e mais necessários da mostra, e talvez seja por isso que funcione tão bem.
Outro ponto de força está em Amefricanas, núcleo dedicado à obra e ao protagonismo de mulheres negras, inspirado no conceito de amefricanidade cunhado por Lélia Gonzalez.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.