Lula faz defesa enfática do Pix na ONU e descarta privatização: “Não vamos ceder às pressões”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o Pix durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), e afirmou que o Brasil não vai aceitar pressões para alterar o modelo do sistema brasileiro de pagamentos.
A declaração ocorreu em meio à disputa envolvendo o Pix e às ameaças feitas pelo governo de Donald Trump ao mecanismo criado pelo Banco Central.
Sem citar diretamente o presidente norte-americano nesse trecho do discurso, Lula afirmou que o país não vai ceder a pressões de multinacionais que, segundo ele, querem privatizar a ferramenta.
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, afirmou Lula.
A defesa do Pix foi feita durante a parte do discurso dedicada aos desafios da transformação tecnológica, da inteligência artificial e da atuação das grandes empresas de tecnologia.
Lula afirmou que seria uma “omissão histórica imperdoável” não enfrentar o desafio da regulamentação das Big Techs e da inteligência artificial.
Segundo o presidente, um grupo de empresas de tecnologia tenta promover uma nova versão de “neoliberalismo digital, sem regras nem transparência”.
Assista ao trecho do discurso: https://x.com/rtnoticias_br/status/2102415299589128558 Recado a Trump e defesa da soberania brasileira Além da questão tecnológica, Lula utilizou o discurso na ONU para defender a soberania brasileira e criticar o que chamou de ingerências externas em processos democráticos.
Ao falar sobre a América Latina e o Caribe, o presidente afirmou que a proximidade geográfica com os Estados Unidos ocorre em um contexto de “recrudescimento de tentações hegemônicas”.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou Lula.
Na sequência, o presidente afirmou que a democracia voltou a estar em xeque e criticou a interferência externa em processos eleitorais.
“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais.
A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, disse.
Lula também afirmou que o Brasil terá um processo eleitoral transparente e competitivo e declarou que o país não permitirá ações contra a vontade popular.
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