Lula é reeleito, mas enfrentará Senado mais à direita; o que poderá mudar?
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu a continuidade do governo federal, mas o presidente começará seu quarto mandato diante de um Senado com maior representação da direita e de aliados de Flávio Bolsonaro (PL) .
O partido do adversário derrotado conquistou 19 das 54 cadeiras em disputa nas eleições de outubro e terá 28 dos 81 senadores a partir de fevereiro de 2027.
O PT contará com nove parlamentares na Casa Alta.
Leia também: O que esperar do quarto governo Lula? Congresso, ajuste fiscal e promessas no radar A nova composição dará à oposição maior capacidade de influenciar votações, negociar o comando de comissões e pressionar o governo em questões institucionais.
O avanço de parlamentares críticos ao Supremo Tribunal Federal (STF) também poderá ampliar os conflitos entre o Senado e o Judiciário.
Para Lula, a formação de uma base parlamentar dependerá novamente de acordos com partidos de centro e centro-direita, especialmente MDB, PSD e União Brasil.
O tamanho da oposição Com 28 senadores, o PL terá a maior bancada individual da Casa e poderá bloquear sozinho propostas que dependam do apoio de três quintos dos parlamentares, como emendas à Constituição.
Para aprovar uma PEC, Lula precisará reunir 49 votos no Senado, em dois turnos.
A bancada petista representa apenas nove desses votos.
Projetos de lei complementar exigem 41 votos favoráveis, enquanto leis ordinárias dependem da maioria dos presentes, desde que haja quórum mínimo de 41 senadores.
O cenário poderá dificultar a aprovação de medidas defendidas pelo presidente, incluindo alterações fiscais, mudanças nas relações de trabalho e propostas que dependam de modificações constitucionais.
Senado poderá aumentar pressão sobre o STF O fortalecimento da direita também deverá influenciar a relação do Congresso com o Supremo.
Levantamento do Ranking dos Políticos, divulgado após o primeiro turno, identificou 54 senadores que já se manifestaram favoravelmente à possibilidade de impeachment de ministros da Corte.
O número coincide com o quórum de dois terços necessário para condenar um ministro por crime de responsabilidade.
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