Como uma fraude milionária deixou o Pix mais seguro?
Pouco depois de um ano após um dos maiores ataques cibernéticos já registrados no sistema financeiro brasileiro, a fraude que abalou o Pix acabou tornando o próprio meio de pagamento instantâneo mais seguro.
A avaliação foi compartilhada por especialistas ouvidos pelo Valor Investe durante a Febraban Tech, nesta quarta-feira (26).
O episódio, ocorrido em julho de 2025, mostrou um ponto fraco na infraestrutura que conectava as instituições ao Banco Central, e forçou reguladores e empresas a subir a barra.
Os criminosos exploraram uma vulnerabilidade da C&M Software, empresa que presta serviços para o setor e se conecta com a infraestrutura do Pix, e roubaram centenas de milhões de reais.
Os volumes exatos não foram divulgados.
Os criminosos teriam acessado contas reservas mantidas por cinco ou seis instituições financeiras junto ao BC.
Um relatório da própria C&M e fontes ouvidas pelo Valor à época estimaram que os desvios chegaram a entre R$ 570 milhões e R$ 800 milhões.
O ataque veio pela infraestrutura Para Carlos Santa Cruz, diretor de tecnologia da Lyfense e professor de inteligência artificial na Universidade Autônoma de Madri, essa distinção é o centro da história.
"O problema de segurança não era a comunicação entre pessoas.
Era o acesso à infraestrutura que controla a movimentação do dinheiro", afirmou.
Segundo ele, faltavam controles sobre quem podia entrar nos sistemas internos, uma brecha que já foi corrigida.
O caso mudou o foco do regulador.
Em setembro de 2025, o Banco Central publicou um pacote de resoluções criando pela primeira vez um regime formal de credenciamento para as prestadoras de serviços de tecnologia da informação, as empresas que conectam as instituições à infraestrutura do sistema.
As regras passaram a exigir diretores responsáveis por segurança e gestão de crises e separação dos ambientes de Pix, entre outros pontos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.