Cannabis pode ser usada em animais? O que a ciência já sabe sobre o tratamento
A cannabis começa a ocupar um espaço mais definido na medicina veterinária brasileira.
Desde 2024, médicos veterinários habilitados podem prescrever medicamentos e produtos produzidos com a substância regularizados para uso animal, seguindo regras específicas de controle.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) também pode avaliar pedidos de regularização de produtos veterinários em específico.
A mudança não significa que qualquer produto de cannabis possa ser administrado em cães, gatos ou outros animais.
A prescrição deve ser feita por profissional habilitado, com avaliação individual do paciente, escolha adequada do produto e acompanhamento da resposta ao tratamento.
O próprio CRMV-SP destaca que doses e aplicações exigem conhecimento.
Cannabis pode mesmo ser usada em animais? A pesquisa sobre canabinoides na medicina veterinária investiga possibilidades relacionadas a dor, inflamação, alterações neurológicas e comportamentais, entre outras aplicações.
Mas os resultados ainda variam conforme a espécie, a substância utilizada, a dose e a condição clínica.
Um dos trabalhos recentes nessa área foi desenvolvido pela médica veterinária Aline Gonçalves Goulart, que pesquisou o uso de um extrato rico em canabidiol em animais da família dos mustelídeos, incluindo lontras.
O estudo observou redução de comportamentos estereotipados, mas também apontou limitações, como o número reduzido de animais, reforçando a necessidade de novas pesquisas.
“Nem toda doença exige cannabis e nem toda cannabis serve para todos os pacientes”, afirma Aline.
Segundo a pesquisadora, a indicação precisa considerar as características de cada animal e ser acompanhada por avaliação clínica.
Área ganha especialistas O avanço também chegou à formação profissional.
Em julho de 2026, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) habilitou a Associação Medicinal de Endocanabinologia Veterinária (AMEC-VET) a conceder o título de especialista na área.
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