Magalu despenca 58% e Assaí cai 39%; Cyrela e MRV têm queda de mais de 40%
A disparada dos juros e do dólar após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividiu a Bolsa em dois grupos nesta segunda-feira. De um lado, ações de varejistas e construtoras perdem mais de 40% do valor. Do outro, exportadoras como Suzano, Vale, Embraer e Gerdau avançam mesmo em meio à forte queda do Ibovespa.
A diferença está principalmente na forma como juros e câmbio afetam os negócios dessas empresas. Varejistas e construtoras dependem mais do crédito e da atividade econômica no Brasil e, por isso, são particularmente prejudicadas quando os investidores passam a esperar juros mais altos por mais tempo. Empresas que vendem parte relevante de sua produção no exterior podem se beneficiar da valorização do dólar, porque recebem receitas na moeda americana e contabilizam boa parte de seus resultados em reais.
Magazine Luiza e Assaí estão entre as empresas mais castigadas. Por volta das 11h, as duas ações caíam cerca de 48%. Lojas Renner perdia 38% e Azzas 2154, dona de marcas como Arezzo e Schutz, recuava 37%.
Juros mais altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e elevam o custo financeiro das empresas. O efeito tende a ser especialmente forte em companhias ligadas à venda de bens de maior valor e comprados a prazo, como o Magazine Luiza. Renner e Azzas também dependem do consumo doméstico. O Assaí, apesar de atuar em alimentos, também é afetado pelo aumento do custo financeiro.
O setor financeiro também registra fortes quedas. As ações do Bradesco recuavam 24,5% às 12h40; as do Itaú, 15%. Os papéis da própria bolsa, a B3, despencavam 36,6%.
As ações das principais empresas do setor de construção civil também sofriam forte queda. Por volta das 11h10, Cyrela recuava 43,4%, MRV caía 40,5%, Cury perdia 27,4%.
A construção é particularmente sensível aos juros porque tanto as empresas quanto os compradores de imóveis dependem de financiamento. Taxas mais altas encarecem o crédito imobiliário e a captação das companhias. Cury e Direcional têm maior exposição à baixa renda e ao Minha Casa, Minha Vida, o que pode amortecer parte desse efeito.
Ações de empresas exportadoras eram algumas da poucas em alta hoje. Os papéis ganham tração com aumento de mais de 10% no dólar frente o real. Às 11h, a Suzano, maior empresa de celulose de eucalipto do mundo e uma das maiores exportadoras do Brasil, liderava a alta, avançando mais de 10%.
A rival Klabin tinha ganho de 2,7%. Enquanto isso, Vale mostrava alta de 6,6%, e Embraer subia 5,85%. A Gerdau, que obtém boa parte de seus resultados de suas operações nos Estados Unidos, avançava 2,5%.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.