O peso da folha e o espaço cada vez menor para investir no futuro
A proposta orçamentária de Mato Grosso do Sul para 2027 coloca diante da sociedade uma disparidade que merece mais atenção do que a simples apresentação das cifras: R$ 13,495 bilhões destinados a pessoal e encargos sociais, diante de R$ 2,454 bilhões para investimentos.
Para cada real reservado a obras, equipamentos e ampliação da infraestrutura pública, estão previstos aproximadamente R$ 5,50 em despesas com pessoal.
É uma diferença que exige explicações sobre a capacidade do Estado de atender às necessidades atuais e preparar o futuro.
A folha é uma obrigação permanente.
Os investimentos representam a possibilidade de ampliar essa capacidade de atendimento: construir e equipar unidades, melhorar estradas, modernizar escolas e enfrentar deficiências acumuladas.
Quando a distância entre essas duas despesas é tão grande, a discussão precisa alcançar o retorno que a sociedade recebe pelo dinheiro que entrega ao poder público.
Há uma distinção necessária para que a cobrança seja rigorosa.
Os recursos destinados ao funcionalismo também atendem à população.
Professores, policiais e profissionais da saúde prestam serviços indispensáveis.
Uma escola precisa de estrutura e de quem ensine; uma unidade de saúde depende de equipamentos e de equipes.
Seria incorreto apresentar os R$ 2,454 bilhões como se fossem todo o dinheiro destinado aos cidadãos.
Essa ressalva, entretanto, não diminui a responsabilidade do governo de explicar o peso de sua estrutura.
Pagar os servidores é indispensável, mas a dimensão da folha precisa vir acompanhada de resultados verificáveis: qualidade do ensino, capacidade de atendimento, segurança e agilidade dos serviços.
O contribuinte tem o direito de saber quanto custa cada política pública e o que ela entrega.
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