Possível recuperação extrajudicial pesa e Braskem (BRKM5) despenca mesmo após lucro bilionário
As ações da Braskem (BRKM5) tombaram 8%, nesta sexta-feira (14), em um pregão já negativo para a bolsa brasileira com a saída de investidores estrangeiros.
No caso da petroquímica, porém, há combustível adicional para a queda: apesar de um balanço operacionalmente melhor no segundo trimestre, as atenções continuam concentradas na situação financeira da companhia e nas negociações com credores para reestruturar uma dívida de mais de US$ 10 bilhões.
A Braskem registrou lucro líquido de R$ 3,3 bilhões entre abril e junho, revertendo o prejuízo de R$ 267 milhões do mesmo período de 2025.
A receita líquida avançou 22%, para R$ 21,7 bilhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) saltou de R$ 427 milhões para R$ 5,2 bilhões.
Os números, no entanto, não foram suficientes para afastar as preocupações do mercado.
O Citi afirma que os resultados superaram as expectativas, favorecidos pela expansão dos spreads — diferença entre o preço de venda dos produtos e o custo das matérias-primas — petroquímicos internacionais e pela maior eficiência das fábricas.
O banco ressalta, porém, que a situação financeira da companhia continua bastante pressionada.
A alavancagem, que mede a relação entre a dívida e a geração de caixa operacional, caiu para 6,74 vezes, beneficiada pelo Ebitda maior.
Ainda assim, o consumo elevado de capital de giro e a liquidação de R$ 929 milhões em cartas de crédito seguem drenando a liquidez da empresa.
Na avaliação do banco americano, a melhora operacional não é suficiente para eliminar as dúvidas sobre a capacidade financeira da Braskem, deixando as negociações para a reestruturação de capital no centro das atenções.
O Citi mantém recomendação de venda para BRKM5, com preço-alvo de R$ 4,50, 15,7% abaixo do fechamento de quinta-feira (13).
Corrida contra o relógio A situação ganha urgência porque está próximo do fim o período de proteção judicial que impede cobranças e execuções contra a Braskem.
A Reuters informou nesta semana que a companhia negocia uma recuperação extrajudicial para reestruturar mais de US$ 10 bilhões em dívidas e evitar um processo de recuperação judicial mais amplo.
Ontem, o Valor revelou que a Braskem corre para conseguir a adesão de credores que representem ao menos um terço dos créditos que pretende incluir na reestruturação.
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