‘Criador não é outdoor’, diz creator com 2 milhões de seguidores
Você está assistindo à TV aberta e de repente “ COMPRE AGORA !” pisca na tela por dois segundos. Parece mentira, mas esse tipo de campanha chegou a acontecer nos 2010 e ilustra bem algo que agências e aspirantes a criadores de conteúdo precisam saber: “O creator não é um outdoor, nem propaganda de TV”.
Antonio Miranda desenvolveu essa noção no primeiro ano de sua carreira como criador e influenciador, após acumular 2 milhões de seguidores no TikTok e começar as primeiras parcerias comerciais.
“Imagina, você está assistindo sua novela e do nada é interrompido por uma propaganda de supermercado. Estranho né? Mas acontecia. O criador é completamente o contrário: ele tem uma comunidade que entende ele, seu nicho e sua linguagem. As marcas precisam ter isso em mente” .
A palavra de ordem então é segmentação . Criadores de conteúdo , diferentemente da TV aberta, atingem um público específico. É essa precisão que os permite cobrar de R$ 5 a R$ 15 mil por parceria .
Claro, a precisão e mais algumas coisinhas que Antonio detalha para quem quer ser criador de conteúdo — e que valem para quem quer entender por que 61% dos diretores de marketing querem colocar mais dinheiro neste mercado que movimentou US$ 9,1 bilhões no Brasil só em 2025.
Taí a pergunta para qual todo criador quer a resposta, e Antonio encontrou a dele no que – em 2021, quando tudo ainda era mato – nem tinha nome ainda: o hook , aquele trecho de impacto dos primeiros segundos do vídeo. Para ele, um atropelamento.
“Depois de passar 3 meses estudando a lógica do TikTok , eu concluí que precisava de 3 segundos para fisgar a atenção da pessoa, e que para isso eu precisava de algum tipo de artifício visual que se destacasse.
Na época, meu sócio estava fazendo um filme que tinha esse efeito do atropelamento. Resolvi testar. É nesse nesse truque, em que eu apareço sendo atingido e dirigindo o carro ao mesmo tempo, que eu prendia o espectador”.
Sim, Antonio já usava o hook antes dele ser cool . Ele começou durante o isolamento social de 2021 e conseguiu 100 mil views no primeiro vídeo. “‘Consigo viralizar qualquer coisa’, falei para minha namorada uma vez. Prepotência né? Mas consegui fazer um vídeo nas redes dela bater 2 milhões!”, ele conta com orgulho.
Antonio parou de usar seu primeiro hook depois de um tempo, ao entender certas sencibilidades das redes, mas continuou desenvolvendo muitos outros de igual impacto. Tudo foi pesquisa.
E esse modus operandi veio de berço. Quando criança, seguindo a mãe agrônoma e cientista em seu doutorado, Antonio passava muito tempo na UFRJ. Ele estudou Nanotecnologia na instituição, mas trocou o plano de tornar-se pesquisador para comunicar ciência pelas redes. A bagagem lhe concedeu as habilidades que precisava.
“Eu percebi que o TikTok , redes verticais em geral, tinham um certo amadorismo. Faltava produção, como no YouTube”, ele explica. Foi através do investimento intensivo em produção que ele transformou seu conteúdo em um produto de valor.
“São várias formas de calcular o valor. Primeiro vem o custo, que incluí a equipe e todas as ações necessárias, desde deslocamento à filmagem. Depois, tem o prazo para produção, que influência bastante.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.