Brasil e Paraguai fecham acordo contra remédios irregulares, mas especialistas fazem ressalvas
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) assinaram no último dia 20 um acordo de cooperação para intensificar o combate à falsificação e à circulação irregular de medicamentos e outros produtos entre os dois países.
O acordo amplia a troca de informações sobre remédios, cosméticos, alimentos, dispositivos médicos e produtos de tabaco que ajudem na fiscalização, investigação e apreensões de objetos sujeitos à vigilância sanitária.
O movimento ocorre em meio a uma crescente preocupação com o contrabando de esteroides anabolizantes , peptídeos injetáveis (aminoácidos vendidos sob promessas de melhora estética e longevidade) e principalmente, das chamadas canetas emagrecedoras , vindos do Paraguai para o Brasil.
Em relação estas últimas, apenas entre janeiro e maio de 2026, a Receita Federal apreendeu mais de 56 milhões de unidades contrabandeadas .
Além disso, dois anos antes, em 2024, foram 2.700 , o que representa um aumento de 20 mil vezes no período.
Continua após a publicidade Objetivos do acordo Os principais objetivos da cooperação entre a Anvisa e a Dinavisa , estabelecidos em um memorando de entendimento , são: Trocar informações sobre medicamentos e outros produtos sujeitos à fiscalização sanitária; Facilitar o acesso a produtos seguros , eficazes e de qualidade nos dois países; Combater a falsificação de medicamentos e a entrada e circulação de produtos irregulares; Reforçar a fiscalização nas regiões de fronteira , com maior integração entre as autoridades brasileiras e paraguaias; Compartilhar experiências e conhecimentos sobre novas formas de regulamentar produtos e tecnologias de saúde; Estimular a inovação na área da saúde, inclusive na busca por novos tratamentos para doenças que ainda não têm cura, na redução de efeitos colaterais e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
Os problemas em comum entre os países O problema envolvendo os medicamentos que chegam do Paraguai ao Brasil tem duas frentes diferentes , explica o endrocrinologista Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (Sbem).
De um lado, estão produtos que são irregulares nos dois países , como determinadas versões de anabolizantes e a retatrutida , medicamento experimental para emagrecimento que ainda não possui aprovação regulatória no mundo , mas, mesmo assim, já foi anunciado por empresas paraguaias .
Também é um problema mútuo a alta de versões falsificadas ou sem procedência conhecida de medicamentos supostamente à base de tirzepatida e semaglutida, princípios ativos do Mounjaro e do Ozempic, respectivamente.
Continua após a publicidade Todas essas substâncias já foram alvo de ações regulatórias não só da Anvisa , mas também da Dinavisa , no Paraguai.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.