O gringo está de saída do Ibovespa (de novo): confira o que afasta o estrangeiro do Brasil
No novo episódio do Touros e Ursos, Luis Ferreira, diretor de investimentos para as Américas do private banking suíço EFG, revela como o investidor estrangeiro enxerga o Brasil neste momento
O gringo está de saída do Brasil (de novo). Somente na última terça-feira (11), os investidores estrangeiros retiraram R$ 4,72 bilhões da B3. Depois de protagonizarem a valorização que fez o Ibovespa se aproximar dos 200 mil pontos em abril, eles estão realizando os lucros e saindo de fininho.
Luis Ferreira , diretor de investimentos para as Américas do private banking suíço EFG, afirma que, para o estrangeiro, o Brasil é um trade de curto prazo, não uma tese de investimento estrutural.
Em entrevista ao podcast Touros e Ursos nesta semana, Ferreira afirmou que, no começo do ano, o Brasil reunia três características atrativas para o dinheiro gringo: juros muito altos, bolsa barata e diversificação da tese de inteligência artificial (IA).
Como o momento era de realocação da carteira de estrangeiros, o país canalizou uma parcela do dinheiro estrangeiro que estava mudando de lugar. Mas, com a volta da força da tese de IA e da retomada dos investimentos nos Estados Unidos, ter Brasil deixou de fazer sentido.
"Aconteceu que entrou de fato muito recurso, mas é um trade muito para curto prazo pelos problemas institucionais e de infraestrutura que existem no país. Então, uma vez que fez muitos recursos, a tomada de lucro acontece e se busca outros mercados", diz Ferreira.
Na prática, o diretor afirma que o Brasil é uma alternativa para o investidor estrangeiro, não o destino.
Não é uma questão de eleições, presidente de direita ou esquerda. Ferreira afirma que o problema do Brasil é muito mais profundo e se arrasta por anos.
O investidor estrangeiro olha para o déficit em conta corrente, a trajetória de alta da dívida pública, os problemas fiscais recorrentes e a baixa capacidade política de aprovar reformas impopulares.
Com esse combo na mesa, os gringos não acreditam que uma eventual troca de governo seja suficiente para mudar o quadro do país de forma relevante. Ainda que reformas pontuais sejam feitas, o que o país precisa é de uma perspectiva de expansão consistente da produtividade e da atividade econômica que justifique uma alocação maior e de longo prazo.
"Acho que uma métrica boa para avaliar essa entrada de longo prazo não é a bolsa, mas o investimento estrangeiro direto. E a expectativa é que não se tenha uma alta significativa nos próximos anos. Ninguém espera um boom de entrada do estrangeiro em programas de infraestrutura", diz Ferreira.
Um outro ponto pouco falado sobre a cautela do estrangeiro no Brasil é a baixa liquidez do país.
As reservas internacionais do país somam R$ 350 bilhões. São relevantes em termos absolutos e comparada a outros emergentes. Mas o bolso dos estrangeiros soma trilhões de dólares. Isso significa que a capacidade de absorção do Brasil é limitada, o que reduz seu peso estratégico nos portfólios internacionais.
Devem voltar, mas da mesma forma que vieram no começo deste ano: de passagem.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.seudinheiro.com — o conteúdo pertence a Seu Dinheiro.