A fórmula da Vulcabras (VULC3) para crescer em um ano que ficou mais difícil para o varejo
O varejo enfrenta pressão de todos os lados. Juros elevados, apostas esportivas, mudanças no comportamento do consumidor e concorrência acirrada são apenas alguns dos desafios que pesam sobre o setor. Ainda assim, a Vulcabras (VULC3) registrou o 24º trimestre consecutivo de crescimento e aposta em dois diferenciais para atravessar um cenário marcado por incertezas: a ascensão da cultura wellness e a verticalização de toda a sua operação.
Entre abril e junho, a dona das marcas Mizuno e Olympikus reportou lucro líquido recorrente de R$ 143,7 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente da companhia foi de R$ 208,6 milhões, 9,3% maior do que no segundo trimestre de 2025.
Por outro lado, as margens sofreram leve pressão devido ao aumento dos custos de mão de obra, frete e insumos derivados de petróleo.
Ao Money Times , o CEO da companhia, Pedro Bartelle, afirmou que 2026 tem se mostrado mais desafiador do que o esperado. Segundo ele, a combinação entre conflitos geopolíticos, impactos na cadeia global de suprimentos, cenário macroeconômico doméstico e uma Copa do Mundo abaixo das expectativas acabou pesando sobre os resultados do setor.
Embora eventos como a Copa do Mundo coloquem o esporte em evidência, Bartelle avalia que o impacto do torneio sobre o varejo foi negativo.
“Foi ruim, não só para o nosso setor, mas para todos. O fluxo nas lojas caiu muito e teve um impacto negativo”, afirmou o executivo, acrescentando que a Vulcabras sentiu o efeito com mais intensidade nas lojas físicas do que no e-commerce.
Apesar da frustração com o evento, a expansão do mercado esportivo e o crescimento da corrida seguem favorecendo a Vulcabras. Segundo Bartelle, o setor vive um momento de forte expansão, impulsionado pela incorporação de roupas e calçados esportivos ao cotidiano dos consumidores. Peças originalmente desenvolvidas para a prática esportiva passaram a ocupar espaço também fora das academias e pistas de corrida.
Bartelle também citou fatores como guerra, inflação de matérias-prima, juros elevados e aumento dos fretes como obstáculos para a companhia. Para lidar com esse cenário, o executivo afirma que a companhia precisou realizar reajuste de preços, revisão de coleções, adiamento e antecipação de lançamentos e simplificação de processos, em busca de ganhos de eficiência.
Nesse caso, a adoção de um modelo totalmente verticalizado permitiu uma resposta rápida às mudanças de mercado, desde o desenvolvimento até a produção.
“Conseguimos nos adaptar: os preços tiveram que ser reajustados, coleções tiveram que ser revistas, algumas postergadas, outras antecipadas. Tivemos que mexer bastante no nosso negócio, mas te confesso que nem todo o custo que aumentou nós conseguimos repassar aos preço”, disse o CEO.
O executivo lembra que a empresa tinha metas agressivas de crescimento e, nos últimos dois anos, realizou muitos investimentos não só em modernização, mas também na ampliação da capacidade produtiva.
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