O Ibovespa quase chegou lá. Os EUA disseram 'ainda não’
A manhã começou com o tipo de notícia que o investidor local vinha pedindo.
O IPCA-15 recuou 0,4% em agosto, bem mais do que o mercado esperava, e devolveu ao Banco Central um pouco de conforto para seguir analisando a trajetória dos juros.
O Ibovespa subiu firme na abertura e, por um instante, pareceu que ia deslanchar rumo a patamares não vistos há semanas.
O índice chegou a bater os 176.296 pontos na máxima do dia.
Só que o roteiro mudou ainda pela manhã - e mudou nos Estados Unidos, não aqui.
Saiu o PCE, a métrica de inflação preferida do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), e veio mais quente do que o esperado.
Isso bastou para reacender a dúvida sobre o que o Fed vai fazer daqui para frente, empurrar os juros dos Treasuries para cima e devolver força ao dólar.
A bolsa brasileira, que momentos antes flertava com novos ares, foi perdendo fôlego ao longo do pregão e terminou de volta na casa dos 174 mil pontos.
Por aqui, o IPCA-15 caiu mais do que o previsto; lá fora, o PCE subiu 0,2% no mês e 3,7% em 12 meses, acima do esperado nos dois casos.
O raciocínio é simples: a inflação mais fraca por aqui deixa o BC brasileiro mais à vontade para lidar com a Selic, enquanto a americana, ainda pressionada, faz o Fed hesitar entre manter os juros ou até aumentar nas próximas reuniões.
Na prática, o mercado passa a enxergar um diferencial de juros cada vez menor entre os dois países.
Isso significa que a vantagem de investir no Brasil em relação aos EUA tende a diminuir, já que a diferença entre o retorno oferecido pelos juros dos dois mercados fica menor.
O dado americano não muda de uma vez o roteiro esperado para o Fed, mas complica qualquer aposta em cortes rápidos nos EUA.
E essa dúvida apareceu nos preços dos títulos americanos: a Treasury de 10 anos fechou em alta, a 4,649%, e a de dois anos subiu para 4,213%.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.