Gestão Tarcísio inicia demolições para nova sede no centro de SP, e proprietários temem redução de indenizações
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Do terraço no sétimo andar do edifício Henrique, o professor de música Sérgio Solimando, 61, observa a escavadeira removendo o que sobrou de imóveis demolidos no terreno atrás do prédio onde mora desde 2009 no bairro Campos Elíseos, na área central da cidade de São Paulo .
São as primeiras demolições determinadas pela gestão do governador Tarcísio de Freitas ( Republicanos ) para a construção da futura sede do governo estadual . Inaugurado há 70 anos, muito antes de a cracolândia se instalar na região na década de 1990, o Henrique também terá seus dez andares colocados abaixo. O mesmo ocorrerá com todos os imóveis da quadra 48 , a única do entorno do parque Princesa Isabel a ser completamente desocupada para a construção do centro administrativo.
Se por um lado o futuro do quarteirão é certo, por outro, quem ainda mora na vizinhança diz não saber em quais condições discutirá o valor das indenizações dos apartamentos a serem desapropriados.
Proprietários de unidades dos edifícios Henrique e Princesa, os dois prédios residenciais da quadra, relataram à Folha nesta sexta (14) que temem que, ao antecipar demolições nos arredores, o governo promova uma desvalorização imobiliária ainda maior na região, barateando o ressarcimento aos moradores.
"Você pode ver, ali já praticamente tudo derrubado, e a nossa preocupação é justamente que eles estão demolindo tudo e ninguém veio conversar com a gente ainda", diz Solimando.
A CDHU, companhia de desenvolvimento urbano do governo, afirma que a derrubada se restringe aos poucos prédios que já estão sob a posse legal do estado. Esses locais, agora demolidos, haviam sido lacrados pelo Ministério Público em ações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado na região. O órgão da gestão Tarcísio ainda afirmou que a remoção do entulho já teve início para evitar a degradação dos arredores.
O principal pedido dos moradores, de que a avaliação dos seus imóveis para fins de compensação expropriatória ocorra antes do avanço das demolições, não será atendido por enquanto, segundo o governo.
A CDHU argumenta que as tratativas para as desapropriações serão assumidas pelo consórcio vencedor da licitação do novo centro administrativo. O grupo responsável, o MEZ-RZK Novo Centro, declarou, contudo, que ainda não assinou o contrato com o governo e, por essa razão, não tem respaldo legal para iniciar as negociações com os moradores.
Dono de um apartamento no edifício Princesa há 20 anos, o geógrafo Silvio Monteiro de Lima, 56, afirma que a desvalorização do seu imóvel já está em curso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Cotidiano.