Bolsa, dólar e juros: como a incerteza na apuração afeta os mercados, segundo Matheus Spiess
Se a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a Presidência já vinha carregada de pressão, a decisão do ministro Cristiano Zanin , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), de estender o horário de votação das 17h para 19h adicionou uma nova camada de incerteza.
E essa turbulência no cenário político não fica restrita aos bastidores de Brasília: os ativos brasileiros também podem sentir os efeitos da indefinição.
A reação dos investidores à medida de Zanin foi discutida por Matheus Spiess , estrategista de ações da Empiricus Research , durante a live de apuração do segundo turno das eleições do Market Makers .
Segundo Spiess, o mercado vinha assimilando a possibilidade de uma mudança relevante na condução da política econômica, com expectativas relacionadas ao ajuste fiscal e à redução do prêmio de risco na curva de juros .
A perspectiva, de acordo com o analista, havia favorecido o desempenho de ativos brasileiros , mas os desdobramentos da disputa eleitoral já vinham estimulando maior cautela entre os investidores .
A extensão do horário de votação, acompanhada de dúvidas sobre a aplicação da decisão e o andamento da apuração, pode intensificar esse movimento.
Incerteza das eleições preocupa investidores Na avaliação de Spiess, o cenário se tornou mais complexo diante dos questionamentos sobre o processo eleitoral.
O estrategista da Empiricus destacou que o ambiente anterior à decisão já apresentava sinais de moderação do otimismo inicial.
Movimentos das campanhas eleitorais haviam contribuído para reduzir parte do entusiasmo dos investidores, que passaram a adotar uma postura mais cautelosa.
Com a nova controvérsia jurídica, o risco deixa de estar restrito à identidade do próximo presidente e passa a incluir a previsibilidade do próprio desfecho eleitoral.
Para os mercados , essa diferença é relevante.
Os investidores podem incorporar aos preços expectativas sobre a política fiscal , a trajetória dos juros e as decisões do próximo governo.
Quando surgem dúvidas sobre o calendário ou a legitimidade do processo que definirá esse governo, a avaliação de risco tende a aumentar.
De acordo com Spiess, a imprevisibilidade e a falta de definição política podem resultar na queda da bolsa brasileira na segunda-feira (26).
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