Zeina Latif critica atuação de Haddad, alerta para urgência da situação fiscal e defende que Lula encampe ajuste
A economista Zeina Latif afirmou que a reação dos mercados nos últimos dias, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reflete a preocupação com a situação fiscal do país e a necessidade de o governo sinalizar um compromisso mais claro com o ajuste das contas públicas.
Durante jantar com empresários do Mercado & Opinião, realizado na noite de terça-feira (27), em São Paulo, Latif ressaltou que a reação do mercado deve ser entendida como um alerta para mudanças.
Ela avaliou, porém, que o quadro atual combina maior fragilidade fiscal com um ambiente político polarizado, o que dificulta a aprovação de reformas estruturais.
“A reação dos mercados é como um alerta: é preciso ter um senso de urgência em relação a minimamente acomodar, abrir um espaço para essas agendas”, disse Latif.
Na avaliação da economista, o cenário econômico atual é mais delicado do que aquele encontrado pelo governo em 2022.
Além dos indicadores fiscais mais deteriorados, o país enfrenta um quadro de endividamento das famílias e das empresas superior ao observado em períodos anteriores, acompanhado por níveis elevados de inadimplência.
A preocupação é que a combinação desses fatores limite o espaço para a redução dos juros e agrave a desaceleração da atividade econômica .
Latif lembrou que os efeitos da política monetária demoram a chegar à economia e que o processo de redução das taxas pode ser comprometido caso as incertezas fiscais persistam.
“Essa espiral precisa ser interrompida”, afirmou a economista, ao mencionar o endividamento elevado e a dificuldade de antecipar quando a inadimplência deverá recuar de forma consistente.
Para Latif, o ambiente atual também difere daquele encontrado no início do governo Jair Bolsonaro, em 2019.
Na ocasião, segundo ela, havia condições econômicas distintas e uma proposta de reforma da Previdência em discussão.
Agora, o governo enfrenta indicadores fiscais mais frágeis e uma sociedade dividida politicamente.
A polarização, acrescentou, reduz a capacidade de articulação do presidente e torna mais custoso o apoio político necessário à implementação de reformas.
Nesse contexto, a insatisfação da população com a economia pode funcionar como pressão por mudanças, especialmente em relação aos juros, ao endividamento e à inflação.
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