Porto de Paranaguá aponta sabotagem em disputa bilionária
O porto de Paranaguá, o segundo maior complexo portuário do país em movimentação de cargas, está no centro de uma disputa bilionária por expansão territorial.
A discussão ocorrem em meio a um processo conturbado que passou a envolver acusações de suposta sabotagem contra a expansão da área pública.
A reportagem teve acesso a documentos de um processo judicial que corre no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) que trata dessa disputa.
A administração do Paranaguá cita uma denúncia feita na esfera administrativa ao Ministério dos Portos e Aeroportos, que atribui ao projeto de um porto privado vizinho uma ofensiva contra a expansão do terminal estatal.
Saiba as últimas notícias de Curitiba e Paraná: entre na comunidade do Bem Paraná O projeto privado se chama Porto Guará, tem autorização da União para funcionar, mas depende de licenciamento ambiental para sair do papel.
A acusação que consta do processo do Paranaguá é que o projeto privado teria coordenado uma ofensiva judicial e administrativa para tentar impedir, retardar ou reduzir a atratividade de leilões, uma vez que ambos disputam os mesmos clientes, em transações que superam R$ 2 bilhões em investimentos.
Denúncia de sabotagem está na Antaq A denúncia chegou à Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), que confirmou à reportagem ter recebido documentos do Mpor (Ministério de Portos e Aeroportos), sob análise técnica.
Enquanto o terminal privado Porto Guará continua a ser um projeto, o terminal de Paranaguá tem ampliado sua capacidade por meio de novos leilões de áreas para movimentação de soja, milho e farelo de soja, mesmo mercado que o concorrente privado pretende disputar.
Em abril de 2025, três áreas do Porto de Paranaguá foram oferecidas em leilão e arrematadas.
Somados, os três contratos representam mais de R$ 2 bilhões em investimentos, além de R$ 855 milhões em outorgas pagas à APPA (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina), também chamada de Portos do Paraná.
Segundo denúncia à Antaq de um ex-advogado do Porto Guará chamado Matheus Ferri, havia um “Plano de Defesa do Porto Guará” cujo objetivo seria dificultar novos arrendamentos públicos para preservar a competitividade do empreendimento privado, que aguardava licenças para ser construído.
Ferri integrava o escritório XVBM, que atuava para o Porto Guará.
Em abril de 2026, já fora do escritório, ele apresentou uma denúncia à Secretaria Nacional de Portos com documentos e emails de discussões internas que tinham como plano “dificultar/impedir os leilões ou, quando menos, torná-los menos interessantes”.
Os emails mostram que Ferri participava das discussões.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.