Irã, seis meses de guerra entre o fracasso e a inevitabilidade da paz
Neste domingo, 23 de agosto, dois jornais espanhóis convergem no diagnóstico.
O El País abre seu editorial afirmando que, seis meses depois da ofensiva contra o Irã, Donald Trump está atolado numa guerra econômica de resultado incerto.
O El Mundo , em reportagem de Macarena Vidal Liy, registra que Trump prometera uma guerra “muito rápida”, mas chega ao fim de agosto com 50 mil soldados deslocados na região, energia mais cara, arsenais pressionados e nenhum dos objetivos centrais alcançado.
A coincidência expõe a distância entre retórica e força.
O estreito de Ormuz tornou-se a imagem física desse fracasso.
Por ali passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no planeta.
Agora, o tráfego foi severamente reduzido, o petróleo sobe em agosto e os efeitos atravessam mercados, fertilizantes, inflação e crescimento.
A ofensiva contra Teerã mostrou quanto dano um regime pode produzir sem derrotar militarmente ninguém.
A guerra que se prolongou Trump havia apresentado a ofensiva como operação de poucas semanas.
Em seis meses, o Pentágono informou ao Congresso gastos de US$ 37,5 bilhões; estimativas citadas pelo El País aproximam o custo efetivo de US$ 100 bilhões.
Munições e interceptadores foram consumidos num ritmo que preocupa comandos militares, enquanto porta-aviões destinados à estratégia americana na Ásia tiveram de ser deslocados para o Golfo Pérsico.
A história cobra dos governantes uma disciplina que a propaganda desconhece.
Armas podem destruir instalações, derrubar pontes, eliminar comandantes e multiplicar funerais.
Converter destruição em resultado político exige outra espécie de inteligência.
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