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Combustível custa até 122% mais caro em refinarias privatizadas

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Combustível custa até 122% mais caro em refinarias privatizadas

Um levantamento exclusivo de preços de venda de combustíveis às distribuidoras aponta que o brasileiro paga mais caro em regiões atendidas por refinarias privatizadas. As três unidades vendidas pela Petrobras à iniciativa privada — refinarias de Mataripe (BA), Clara Camarão (RN) e Ream (AM) — cobram até 122% mais pelo combustível do que a estatal. O setor atribui os preços a diferentes infraestruturas e logísticas das companhias e culpa os preços "predatórios" praticados pela Petrobras.

Privatizadas entre 2021 e 2023, as três refinarias respondem por 87% do refino privado do Brasil. Ao todo, as refinarias particulares detêm 20% da produção de derivados de petróleo no país, enquanto o restante permanece com a Petrobras, segundo dados da Refina Brasil.

A maior diferença de preço está na venda do diesel S-10. Nas refinarias da Petrobras, o litro do combustível custa R$ 3,30, enquanto na refinaria privatizada Ream (controlada pela Atem), em Manaus, o mesmo litro é vendido por R$ 7,34: 122% mais caro, revela levantamento do Ibeps (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais) com dados das próprias companhias. Privatizada em 2022, a refinaria da Ream é a única de toda a região Norte do Brasil.

Na refinaria de Mataripe (controlada pela Acelen), na Bahia, o preço do diesel S-10 é de R$ 6,14, 86% maior que o da estatal. Embora a região conte com outras plantas, a de Mataripe responde sozinha por 42% do abastecimento do Nordeste. Também privatizada, a refinaria Clara Camarão (controlada pela Brava Energia), no Rio Grande do Norte, não atua na comercialização de diesel no atacado.

O preço cobrado pela gasolina também é maior entre as privatizadas. O litro nas refinarias da Petrobras custa R$ 3,05, enquanto o preço vai a R$ 5,11 na refinaria Ream, 67,5% mais caro. Em seguida, aparece a refinaria Clara Camarão, com o preço de venda a R$ 4,07 (33,4% mais caro), e a de Mataripe, que comercializa o combustível por R$ 3,95 (29,5% mais caro).

As refinarias privadas chegam a cobrar quase R$ 19 mais caro por botijão de 13 kg do gás de cozinha. Se o preço médio da Petrobras nas refinarias públicas é de R$ 34,70, nas unidades privadas de Mataripe e Clara Camarão, ele dispara para R$ 47,36 (36,5% a mais) e R$ 53,71 (+54,8%), respectivamente. Na refinaria Ream, o botijão de gás é vendido por R$ 38,73, 11,6% acima do valor cobrado pela estatal.

A venda das refinarias teve origem em um acordo entre a Petrobras e o Cade (órgão federal antimonopólio) em 2019. O documento obrigava a estatal a vender oito de suas 13 refinarias para atrair competidores privados e reduzir os preços na bomba. Mas apenas as três plantas industriais citadas na reportagem foram transferidas à iniciativa privada depois que o governo Lula reviu o acordo junto ao Cade em 2024 para desobrigar a estatal de vender as refinarias remanescentes.

O fatiamento do sistema integrado da Petrobras isolou os estados em mercados regionais. Como a rede de refino estatal foi desenhada para operar em conjunto, a venda individual das fábricas retirou a proteção oferecida pela escala nacional.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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