Quem quer governar o Paraná precisa falar da saúde mental de quem trabalha
Durante muito tempo, quando se falava em saúde do trabalhador, a discussão ficava concentrada nos acidentes, nos equipamentos de proteção, nas doenças ocupacionais e nas condições físicas do ambiente de trabalho.
Tudo isso continua sendo importante.
Mas existe uma parte desse debate que ganhou outra dimensão nos últimos anos e ainda não recebe a atenção que deveria: a saúde mental.
No Paraná, os números mostram que não estamos diante de um problema pequeno.
Entre 2017 e 2024, foram registradas 954 notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho no Estado, segundo dados do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador (Cest), da Secretaria de Estado da Saúde.
O Observatório de Saúde e Segurança do INSS registrou ainda 3.646 afastamentos acidentários por transtornos mentais relacionados ao trabalho entre 2012 e 2022.
Esses números, porém, provavelmente não contam toda a história.
A própria Secretaria da Saúde chama atenção para a subnotificação.
Em muitos casos, o sofrimento mental acaba sendo tratado como um problema exclusivamente pessoal, sem que se investigue a relação com o trabalho.
Em 2023, por exemplo, foram notificadas 192 ocorrências de transtornos mentais relacionados ao trabalho no Paraná.
Em 2024, até agosto, eram 172 registros.
A Sesa afirma que esses números representam apenas uma parcela dos casos existentes.
Isso precisa mudar! Quando um trabalhador desenvolve ansiedade, depressão ou síndrome de Burnout, a primeira pergunta não pode ser apenas o que está acontecendo com aquela pessoa.
Também precisamos perguntar em que condições ela trabalha, como é sua jornada, que tipo de cobrança enfrenta e se existe espaço para pedir ajuda quando as coisas começam a sair do controle.
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