Casas Bahia pede recuperação enquanto pequeno varejo fecha as portas
O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia , com R$ 17,3 bilhões em dívidas, escancarou uma crise que a maioria do varejo enfrenta silenciosamente: quando o negócio não tem o tamanho da Casas Bahia, ele não pede recuperação judicial. Ele fecha ou quebra.
O número de empresas do varejo em processo de recuperação judicial vem crescendo. De junho de 2025 a junho de 2026, o total de companhias nessa situação saltou de 819 para 986 empresas, alta de 20,4% em 12 meses, próximo dos 21,2% registrados no total de recuperações judiciais do país, informa o Monitor RGF-BIZDOC, plataforma que rastreia pedidos de recuperação judicial, falências e insolvência empresarial no Brasil.
O que marca o varejo, porém, não é a recuperação judicial: é a falência de empresas. O varejo tem a menor proporção de empresas em recuperação judicial entre os grandes setores da economia: 0,16 processo para cada mil empresas ativas, metade da média nacional (0,30). Em compensação, o setor tem 686 empresas falidas para 986 em recuperação, o que dá uma falência para cada 1,4 recuperação, a maior proporção entre os grandes setores.
Nesses ramos, a empresa prefere fechar a entrar na Justiça quando a renda cai. Em ramos onde é fácil abrir um negócio mas o comerciante tem pouco a oferecer como garantia a um banco, fechar as portas é mais barato do que tentar se reestruturar. "A recuperação judicial, no varejo, é instrumento reservado a quem tem escala e ativo a proteger", diz Cláudio Damasceno, coordenador do Monitor RGF-BIZDOC.
A exceção são os postos de combustível. Eles concentram 18,5% de todas as recuperações do varejo, com 182 empresas, a mais alta do setor. Isso ocorre por se tratar de um segmento que, por ter ativos relevantes (terrenos, equipamentos, estoque de combustível), tende a se reestruturar durante o pedido de recuperação judicial, assim como os supermercados.
No varejo, grande empresa dificilmente pede recuperação judicial. Empresas de porte médio respondem por metade (50,6%) dos casos, seguidas por pequenas empresas (22,8%) e microempresas (21,5%). As grandes redes somam apenas 5,1% dos casos, segundo Damasceno, porque tendem a recorrer à recuperação extrajudicial (fora da Justiça) quando entram em dificuldade. "A recuperação judicial só compensa quando há ativo a preservar, e o pequeno varejista quase não tem", diz Damasceno.
Esse varejo é facilmente 'reiniciável'. Baixa-se o CNPJ e recomeça-se sob outro registro, com o mesmo ponto e o mesmo estoque. A recuperação protege marca, carteira de recebíveis, patrimônio. São ativos que o pequeno não tem, mas a grande rede tem. Cláudio Damasceno, do Monitor RGF-BIZDOC
O pedido de recuperação judicial das Casas Bahia e da Marabraz são exemplo da crise nas redes varejistas. Com R$ 17,3 bilhões em dívidas, as Casas Bahia buscaram a Justiça após anos fechando lojas e cortando pessoal. O movimento das duas companhias escancara o "nível de pressão financeira enfrentado por parte das empresas brasileiras", atingindo especialmente o setor de bens duráveis, avalia Edson Mendes, da Private Investimentos.
O encarecimento do crédito e o orçamento apertado das famílias pioram o quadro para o varejo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.