Médicos do tráfego pedem mudanças em MP do mototáxi para impedir aumento de mortes no trânsito
Editado por Fábio Zanini, espaço traz notícias e bastidores da política. Com Carlos Petrocilo e Gabriela Echenique
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A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego sugeriu ajustes severos no texto da Medida Provisória que flexibiliza exigências para mototaxistas sob risco de as mudanças provocarem mais mortes e acidentes no trânsito .
A entidade enviou um parecer técnico à comissão especial que discute o tema alertando sobre os efeitos que a MP terá sobre a saúde e a segurança dos profissionais.
O texto enviado pelo poder Executivo retira a exigência de idade mínima de 21 anos para exercer a profissão, a realização de curso especializado e a inspeção semestral dos equipamentos obrigatórios.
Como mostrou o Painel , a categoria classificou a medida como retrocesso. A MP anulou pontos de uma lei criada pelo próprio presidente Lula , em 2009.
A Abramet afirma que a simplificação proposta deve vir acompanhada de capacitação específica e comprovação de experiência do condutor que deseja atuar profissionalmente. Além disso, a associação cobra um mecanismo periódico de verificação das condições de segurança das motos.
Outra proposta é criar um sistema específico para acidentes de mototáxi, motofrete e profissionais vinculados a plataformas de delivery. A ideia é ter um acompanhamento de perto que identifique os efeitos das mudanças sobre mortes e internações.
Segundo dados do Ministério da Saúde , das mais de 227 mil internações registradas em 2024, 60% envolveram motociclistas. Além disso, eles representam 45% de todos os acidentes registrados nas rodovias federais no primeiro semestre de 2026, segundo a PRF ( Polícia Rodoviária Federal ).
Os médicos do tráfego afirmam que os motociclistas em situação de trabalho têm muito mais chances de sofrerem acidentes ou morrerem pela exposição da função.
"Fadiga, sonolência e distração podem comprometer a atenção, o julgamento, o tempo de reação e a coordenação motora e não devem ser desconsiderados na definição das regras aplicáveis às atividades profissionais exercidas com motocicletas", disse o diretor científico da Abramet, Flavio Adura.
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