Empresas dos EUA são contra tarifaço ao Brasil e pressionam por acordo, diz Amcham
Foto: Pixabay As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros enfrentam resistência não apenas entre exportadores do Brasil, mas também no setor empresarial norte-americano.
Segundo Fabrício Panzini, diretor da Amcham Brasil, empresas dos dois países demonstram preocupação com os custos adicionais e os impactos das medidas sobre cadeias produtivas integradas.
Em entrevista ao Mercado&Cia , Panzini afirmou que a prioridade do setor privado é a retomada das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano.
Para a Amcham, a Lei da Reciprocidade Econômica deve ser utilizada como instrumento de negociação, e não de retaliação comercial.
“O setor empresarial norte-americano, assim como o brasileiro, tem demonstrado contrariedade a essa sobretaxa e às restrições às importações que vêm do Brasil”, afirmou.
Segundo o diretor, a Amcham Brasil e a U.S.
Chamber of Commerce fizeram uma manifestação conjunta destacando os efeitos das tarifas sobre consumidores e empresas norte-americanas.
De acordo com Panzini, as sobretaxas podem elevar custos nos Estados Unidos, reduzir a competitividade de companhias que produzem no país e afetar cadeias produtivas que mantêm relações comerciais com o Brasil.
Um terço do comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo Um dos fatores que ajudam a dimensionar os efeitos das tarifas é o nível de integração entre as empresas dos dois países.
Segundo cálculo citado por Panzini, cerca de um terço do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos ocorre entre companhias pertencentes ao mesmo grupo empresarial, operação conhecida como comércio intrafirma.
Na avaliação do diretor, esse cenário faz com que as tarifas tenham impacto não apenas sobre os exportadores brasileiros, mas também sobre operações de empresas instaladas nos Estados Unidos.
“Essas tarifas acabam atingindo a competitividade de cadeias que já são muito integradas”, explicou.
Para Panzini, os impactos sobre essas cadeias ajudam a explicar o aumento da quantidade de produtos retirados do alcance das sobretaxas.
Ele citou entre os produtos brasileiros beneficiados por exceções café, carne, suco de laranja, castanhas e frutas, além de itens ligados ao setor de aeronaves.
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