Mercado mira tokenização para melhorar liquidez do crédito privado
O crédito privado é a principal aposta do mercado brasileiro para o avanço da tokenização, que busca tornar mais eficientes as operações de um setor historicamente caro e pouco líquido.
É o que mostra uma pesquisa com participantes desse setor presente no estudo Brazil Tokenization Report, elaborado pela Nexa Finance.
Segundo o relatório, o valor tokenizado no Brasil passou de pouco mais de R$ 1 bilhão para mais de R$ 10 bilhões nos 12 meses encerrados em agosto, enquanto o mercado global praticamente dobrou no mesmo período.
Somado aos recebíveis, o crédito privado já responde por 88% desse montante, mas esse volume equivale a apenas 0,3% de um saldo de R$ 2,75 trilhões em crédito corporativo.
A pesquisa ouviu participantes de diferentes elos do mercado, de bancos e gestoras a plataformas de tokenização e family offices.
O crédito privado aparece com 48% das respostas, mais que o dobro dos títulos públicos e do Tesouro, segunda opção mais citada, com 20%.
Entre os setores que devem gerar esse volume, 41% apontam a economia real, ou seja, as empresas em geral, à frente de agro e infraestrutura, com 10% cada.
O estudo aponta que, entre as grandes classes de ativos, o crédito privado é aquela em que as fragilidades do ativo mais coincidem com as vantagens da tokenização, em especial liquidez, custo e transparência.
Com base em estudos internacionais, como o da Coalition Greenwich, o documento mostra que a dificuldade de venda é a principal barreira para 70% dos investidores do segmento.
“O grande atrativo é que a tokenização derruba boa parte das barreiras que sempre mantiveram o crédito estruturado fora da carteira do investidor comum”, afirma o cofundador e CIO da Nexa, plataforma que estrutura produtos de investimento com inteligência artificial e blockchain , Eduardo Furuie , ex-Pátria e Tera Capital.
Eduardo Furuie, cofundador e CIO da Nexa (Foto: Divulgação) Segundo o executivo, custódia, liquidação e negociação no mercado secundário ficam mais simples e baratas, já que a operação é liquidada na hora e a posição do investidor é atualizada de forma imediata e auditável.
Isso tende a reduzir a diferença entre o preço justo de um ativo e o preço efetivamente obtido na execução, já descontadas as taxas.
Dentro do crédito, o cofundador da Nexa vê potencial especialmente relevante no crédito estruturado pulverizado, formado por carteiras com grande número de contratos, vencimentos e pagamentos, que exigem acompanhamento e conciliação constantes.
“Tratar isso [o acompanhamento dessas carteiras] na custódia tradicional é caro e opaco”, aponta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.