Crise climática avança, mas ativismo perde força na Alemanha
Crise climática avança, mas ativismo perde força na Alemanha - Apesar de ondas de calor recordes, mortes relacionadas às altas temperaturas e prejuízos econômicos, movimentos ambientalistas enfrentam desafio de mobilização e cobram mais ação do governo.Quando Lars Werner, integrante do grupo de ativistas Última Geração, colou o próprio corpo ao asfalto em um protesto por maior ação climática, há quatro anos, a Alemanha ainda não havia registrado 12,5 mil mortes relacionadas ao calor, como neste ano.
O país também não tinha enfrentado as temperaturas recordes que atigem diferentes regiões da Europa Ocidental nem dificuldades para a navegação no rio Reno devido à baixa vazão.
"Eu poderia dizer 'eu avisei', porque tudo isso era previsível e não me surpreende", afirmou Werner à DW. Segundo ele, já naquela época alertava que verões cada vez mais quentes poderiam comprometer o Reno e causar fortes impactos econômicos.
Neste verão europeus, incêndios florestais levaram à evacuação de vilarejos inteiros. Agricultores devem perder milhões de toneladas de grãos por causa da seca. Hospitais e casas de repouso sem ar-condicionado enfrentam riscos crescentes para pacientes e idosos durante as ondas de calor.
Apesar da gravidade da situação, o governo federal tem sido criticado pela falta de iniciativas mais abrangentes e sequer convocou uma cúpula nacional para discutir o calor extremo.
Para Werner, medidas pontuais, como flexibilizar a proibição de circulação de caminhões aos domingos, não substituem uma estratégia climática consistente. "É completamente irracional tentar contornar o problema com ajustes regulatórios em vez de adotar uma política abrangente de proteção climática", disse.
O grupo Última Geração encerrou seus protestos há dois anos, após enfrentar forte rejeição pública devido aos seus métodos de ativismo, multas e prisões. Desde então, o principal papel de contestação da política climática passou ao movimento Fridays for Future (FFF), ligado a Greta Thunberg e conhecido em português como "Greve pelo Futuro".
A porta-voz do FFF na Alemanha, Linda Kastrup, acusa o governo de não adotar medidas eficazes de combate à mudança climática. Segundo ela, propostas como aprofundar o leito do Reno para facilitar a navegação ou flexibilizar restrições ao transporte rodoviário tratam apenas os sintomas do problema.
Há uma semana, apenas algumas centenas de manifestantes participaram de um protesto diante da Chancelaria, em Berlim. O número contrasta com as mobilizações de 2019, antes da pandemia de covid-19, quando centenas de milhares de pessoas foram às ruas em defesa do clima.
Uma pesquisa recente da Fundação Bertelsmann mostrou que 80% dos alemães estão preocupados com as mudanças climáticas e mais da metade defende maiores investimentos públicos na área. Mesmo assim, a preocupação não tem se traduzido em mobilização.
Kastrup afirma que isso não é surpreendente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.