Ave considerada extinta na natureza por mais de 20 anos volta a voar livre no Brasil e primeiros filhotes nascem após reintrodução histórica
Reintrodução em Curaçá devolveu à Caatinga uma ave antes considerada extinta na natureza e abriu uma nova fase para a conservação da espécie.
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A ararinha-azul , considerada extinta na natureza por mais de duas décadas, voltou a voar livre no Brasil em uma das reintroduções mais simbólicas já realizadas no país. Depois das primeiras solturas em Curaçá, na Bahia, a espécie ainda alcançou outro marco: os primeiros filhotes nascidos em vida livre após o retorno à Caatinga.
Trata-se da ararinha-azul ( Cyanopsitta spixii ), ave endêmica da Caatinga baiana e uma das espécies mais raras do mundo. Por décadas, ela se tornou símbolo da crise da fauna brasileira depois de desaparecer da natureza e sobreviver apenas em programas de conservação mantidos sob cuidados humanos.
Seu último indivíduo selvagem foi registrado em outubro de 2000 , no município de Curaçá. A partir dali, a espécie passou a ser tratada como extinta na natureza , enquanto os esforços se concentraram em ampliar a população mantida em cativeiro e recuperar o habitat histórico.
Em 2022 , a reintrodução finalmente começou em Curaçá. Primeiro, oito aves foram soltas em junho. Depois, um segundo grupo de doze indivíduos foi liberado em dezembro, somando 20 ararinhas-azuis devolvidas ao seu território histórico naquele ano.
Curaçá não foi escolhida por acaso. O município está inserido na área de ocorrência histórica da espécie e reúne parte dos ambientes de Caatinga associados ao passado da ararinha-azul. A volta das aves à região significou recolocar no ambiente um animal que havia desaparecido da vida livre havia mais de 20 anos.
Também foi um marco porque a reintrodução não representou apenas abrir gaiolas. As aves passaram por monitoramento, manejo e acompanhamento de comportamento para aumentar as chances de adaptação ao clima, ao alimento e às pressões naturais do ambiente semiárido.
Para a conservação, isso muda o patamar do projeto. Soltar animais já é um marco, mas ver o nascimento de filhotes em campo indica que a população reintroduzida começou a dar sinais de funcionamento ecológico fora do cativeiro.
Mesmo com o avanço, a ararinha-azul continua em situação delicada. O histórico de desaparecimento mostra que a perda de habitat, a captura ilegal e outros impactos sobre a Caatinga podem comprometer rapidamente uma população pequena e recém-restabelecida.
Por isso, a reintrodução depende não só das aves, mas também da proteção do território. Unidades de conservação, monitoramento dos indivíduos, manejo de ninhos e envolvimento das comunidades locais permanecem centrais para evitar que a espécie volte a desaparecer da natureza.
Ainda não. O nascimento dos primeiros filhotes em vida livre é um sinal extraordinário, mas a recuperação de longo prazo exige vários ciclos reprodutivos, aumento gradual da população e estabilidade do habitat. Em outras palavras, o projeto saiu da fase simbólica e entrou na etapa mais difícil: transformar o retorno em uma presença duradoura.
Mesmo assim, o que ocorreu em Curaçá já alterou profundamente a história da espécie.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.