Ganhar a eleição é uma coisa. Liderar o país é outra
Neste domingo, o Brasil escolherá seu próximo presidente. Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao segundo turno depois de uma disputa apertada, marcada por uma diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos no primeiro turno.
Não sei para quem você está torcendo. Talvez esteja comemorando a última pesquisa. Ou preocupado com ela. Mas vale lembrar que alguns dos institutos mais conhecidos apresentavam Lula numericamente à frente antes do primeiro turno, enquanto as urnas mostraram Flávio na liderança.
Há quem argumente que as diferenças estavam dentro da margem de erro. Outros questionam como pesquisas tão próximas da votação não conseguiram antecipar sequer a ordem dos candidatos. Independentemente da confiança que cada um deposita nesses levantamentos, pesquisas são instrumentos importantes, mas não são sentenças.
Só que, enquanto discutimos quem aparece um ponto à frente ou atrás, talvez estejamos deixando de fazer uma pergunta muito mais importante: o que acontecerá depois da eleição?
Os dois candidatos enfrentam rejeição elevada e representam projetos políticos diferentes. Milhões de brasileiros terão escolhido o candidato derrotado. Pessoas que continuarão trabalhando, pagando impostos, criando seus filhos e esperando respostas para problemas que não desaparecem com o fim da apuração.
Ganhar uma eleição dá ao vencedor o direito de governar. Mas será suficiente para liderar um país tão dividido?
Passei boa parte da minha vida tomando decisões difíceis diante de executivos que defendiam caminhos opostos. Às vezes acertei, outras vezes errei. Mas uma das lições mais importantes que aprendi foi que ouvir quem discordava de mim não era sinal de fraqueza.
Em algumas ocasiões, foi justamente alguém contrário à minha posição que trouxe um argumento que eu não havia considerado. Em outras, a discussão nos levou a uma terceira alternativa, melhor do que aquelas que estavam inicialmente sobre a mesa.
E havia algo ainda mais importante: quando pessoas que pensavam diferente participavam da construção de uma solução, passavam a se sentir responsáveis não apenas pela decisão, mas também pelo resultado que precisávamos entregar juntos.
Hoje, quando CEOs me procuram para discutir como lidar com diretorias divididas, é essa experiência que compartilho. Ouvir não significa concordar com tudo, muito menos abrir mão da responsabilidade de decidir. Significa reconhecer que ninguém tem o monopólio das boas ideias.
Sei que governar um país é muito diferente de administrar uma empresa. Numa democracia, a oposição não precisa concordar com o governo. Tem o direito e o dever de fiscalizar, questionar e apresentar alternativas. Discordar do presidente não torna ninguém menos comprometido com o futuro do Brasil.
Mas existe um princípio de liderança que atravessa esses ambientes tão diferentes: quem se recusa a ouvir pessoas que pensam de outra maneira pode deixar boas soluções pelo caminho.
Temos problemas que não pertencem à direita nem à esquerda. A desigualdade social não será superada sem crescimento econômico consistente, geração de empregos e aumento da produtividade. A educação precisa oferecer oportunidades reais aos jovens.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.