O municipalismo acabou?
Três anos atrás, escrevi neste espaço, quando ainda era hospedado em outro site, o texto “Afinal, o que é o municipalismo?” , no qual procurei compreender a estratégia política anunciada por Carlos Brandão nos primeiros meses de seu governo no Maranhão.
Naquele momento, a pergunta ainda estava aberta.
O municipalismo aparecia como uma possibilidade de reorganização administrativa e política do estado, com a promessa de aproximar o governo estadual dos municípios, ampliar a cooperação federativa e conferir maior autonomia às gestões locais.
Também era possível enxergar nessa escolha uma tentativa de afastamento em relação ao modo de governar associado ao ciclo anterior e de construir uma coalizão política mais ampla, sustentada pela interlocução direta com as prefeituras.
Conheça o JOTA PRO Eleições, cobertura eleitoral especial do JOTA que oferece transparência e previsibilidade para empresas Tenho dito, há algum tempo, que governar é desagradar.
A frase parece simples, mas contém uma premissa elementar da política: governar é escolher.
E escolher significa estabelecer prioridades, distribuir recursos, organizar agendas, reconhecer demandas e, inevitavelmente, deixar outras em segundo plano.
Não há administração pública capaz de converter conflito em unanimidade, assim como não há governo capaz de satisfazer simultaneamente todas as expectativas que se dirigem ao Estado.
A política começa precisamente onde termina a fantasia de que todos podem ser contemplados da mesma maneira.
A Ciência Política ajuda a tornar esse ponto mais claro.
A competição política não ocorre em uma sociedade homogênea, mas entre grupos, interesses, territórios e lideranças que disputam recursos escassos e reconhecimento público.
Giovanni Sartori mostrou que a análise da política exige atenção à competição, à estrutura dos sistemas partidários e às clivagens que organizam as preferências sociais.
Nessa perspectiva, a capacidade de um governo formar alianças não elimina o conflito, apenas o administra temporariamente.
Uma coalizão ampla pode conter tensões, mas dificilmente consegue anulá-las.
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